O Brasil poderá aumentar em 25% a produção atual de 20 bilhões de litros de etanol, sem incorporar um hectare sequer à área plantada. A expansão se dará por meio do desenvolvimento do chamado álcool de segunda geração, a ser produzido a partir do bagaço e da palha da cana. Quem garante é o presidente da Novozymes Latin America, Victor Barbosa, que ontem acompanhou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Copenhague e assinatura do acordo da Novozymes, que no Brasil tem empresa de biotecnologia em Araucária (PR), com a Universidade Tecnológica da Dinamarca; o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Petrobras para obter o combustível a partir das sobras da colheita.
A empresa dinamarquesa é líder mundial em bioinovação e sua fábrica brasileira produz enzimas para indústrias de panificação, bebidas, rações animais e indústria têxtil. “Estamos muito próximos de obter a escala econômica para o processo biológico da hidrólise da celulose. Já temos a enzima certa para o processo. Dentro de dois ou três anos entrará em escala comercial, com a produção de álcool”, revelou Victor Barbosa.
As enzimas são substâncias orgânicas, geralmente proteínas, que atuam como catalisadoras de reações químicas para reduzir tempo, energia ou uso de outros produtos químicos nos processos industriais. A pesquisa da Novozymes está adiantada porque ela mantém na Europa e EUA perto de 70 pesquisadores trabalhando nessa mesma linha para produzir álcool a partir de resíduos da colheita de milho.
“Vamos transferir imediatamente cinco desses pesquisadores para Curitiba onde vamos trabalhar com o CTC. Estamos trabalhando nesse projeto há um ano”, disse Barbosa. Para ser viável, o custo de produção desse álcool deve ficar abaixo de R$ 1,00. Para as usinas, a facilidade da nova tecnologia decorre da disponibilidade de matéria-prima. “Achamos um uso mais nobre para a biomassa”, afirma.
No Brasil, a hidrólise da celulose vem sendo pesquisada desde o início dos anos 90 pela Universidade Federal do Paraná, mas a crise do Proálcool fez com que a pesquisa fosse abandonada. Recentemente, a Unicamp retomou os trabalhos, porém pela via química. Até aqui os resultados econômicos têm se mostrado inviáveis. O custo de produção por litro ficou perto de R$ 1,80, três vezes mais que o álcool do caldo da cana. Há estimativas de que, no futuro, essa tecnologia biológica chegue a aumentar até 40% a produção brasileira de álcool, sem incorporar novas áreas agrícolas. Poderão ser utilizados outros restos de colheitas.
Gazeta Mercantil

