Os escândalos da Petrobras deixaram assuntado o cidadão comum. Abriu mais um leque estrondoso de vazamento de dinheiro público, que não é denunciado pelo empresariado, porque são peças do processo. São tão responsáveis quanto os que, travestidos de cordeiros, de defensores da Pátria e dos pobres, se integram, com eles, em quadrilhas de assaltantes para apequenar o País e se enriquecer ilicitamente.
Chegamos ao fundo do poço. De sacrilégios e deslizes, de ações e omissões, de leniências e negligências, assistimos ao que jamais imaginaria que, no mundo jurídico pudesse existir.
O vômito da corrupção a tingir de negro ocre, mais uma vez, a coisa pública: Três partidos políticos – PT, PMDB e PP – e mais o supra-sumo da elite das grandes empreiteiras nacionais, fazendo o que de mais sórdido pode existir numa república. Vilipendiar o povo brasileiro, tomando de assalto a Petrobras.
Nós, técnicos, pobres mortais, nos associamos, quase sempre, com o setor privado – micros, pequenos, médios e grandes, inclusive com os produtores rurais – para melhorar as condições de produção e competitividade da economia. Gritamos aos quatro ventos, junto com todos os segmentos, contra o Custo Brasil, que trava o processo de desenvolvimento: estradas deficitárias, portos deficiente, aeroportos inconclusos, etc. De outro lado, mais Custo Brasil, com carga tributária elevada, gasto público descontrolado e burocracias descabidas. E o Custo Pilhagem se soma a tudo isso. Ninguém aguenta!
Senti-me um tolo, um idiota, ao ouvir o áudio dos depoimentos em oitiva judicial de Paulo Roberto Costa (O Paulinho, para os Íntimos da Corte de Brasília) e do doleiro Alberto Youssef.
Porque tantas vezes defendemos a iniciativa privada, mesmo os pequenos, se muitos não merecem essa consideração? Primeiro, para alguns, nada gritam contra o ‘Custo Pilhagem’, eis que o silêncio desobriga-os de examinar a própria culpa, sob pena de autodelação.
Segundo, se participam, colocam um garrote sobre o desenvolvimento econômico que alcança a toda a sociedade, e provocam instabilidades institucionais, cujos resultados, mesmo com as vantagens das propinas de curto prazo, acabam repercutindo também em suas empresas, pelas profundas distorções que provocam. Provoca mais, destrói as possibilidades de termos um mercado mais justo e uma sociedade mais bem assistida. Muito do que se paga, paga-se pela pilhagem.
De agora em diante, os empresários honestos desse País, e graças a Deus são muitos, tem que colocar as barbas de molho e exigir: a) Primeiro, pagar o justo preço pelo delito praticado, ou seja, cadeia aos corruptos e aos corruptores; b) Manter vigilância constante sobre as articulações, as tramóias e os contratos obscuros entre o público e o privado, seja aqui ou no exterior; c) Propugnar pelo fim do custo pilhagem, pois de nada adianta fazer o discurso da redução do custo Brasil, se a roubalheira não acabar.
A bola está com todos os brasileiros: Ou vamos avançar e virar essa página negra de nossa história, ou vamos, juntos com os nossos filhos e netos, para um despenhadeiro sem fim. Que Deus nos ilumine e nos livre desse calvário.
Wolmar Roque Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico

