Dia de Campo da Mata Atlântica apresenta as técnicas e os sabores da sustentabilidade

por admin_ideale

Como utilizar a árvore de forma sustentável na propriedade rural? Quais as espécies mais adequadas? Que benefícios o Bioma Mata Atlântica pode trazer ao produtor rural capixaba? Estes foram alguns dos questionamentos respondidos no Dia de Campo na Mata Atlântica, realizado na última sexta-feira (12) na propriedade da família Milanesi em Linhares, Norte do Espírito Santo.

O objetivo do evento foi justamente apresentar alguns resultados científicos que possam subsidiar discussões técnicas que envolvam o aprimoramento da legislação ambiental brasileira. “Nós pudemos demonstrar todos os experimentos implantados. Já temos alguns resultados, mas ainda incipientes porque o projeto vai até 2019. A Mata Atlântica vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e a nossa responsabilidade é grande. Mas nós acreditamos nessa causa”, disse Fabiana Ruas, bióloga, pesquisadora do Incaper e coordenadora regional do Bioma Mata Atlântica. “O projeto é de pesquisa com árvores. Esperamos que o Dia de Campo contribua para a inserção dos agricultores na atividade, com reflexo na melhoria da produtividade e da qualidade florestal capixaba”, complementou Ruas.

“Os resultados gerados nesta propriedade serão estendidos a todo o bioma Mata Atlântica. Este trabalho gera resultados que serão aplicados em todas as propriedades rurais, com ênfase na sustentabilidade, como indica o foco de atuação do Incaper. Isso coloca o Espírito Santo como referência nacional para conduzir projetos que realmente geram resultados. Indica conhecimento, comprometimento, responsabilidade, dedicação e muito esforço de instituições que se abraçam. Esperamos que os produtores vejam isso como uma forma de aplicar nas suas propriedades”, proferiu Aureliano Nogueira da Costa, diretor-técnico do Incaper.

Estações temáticas

Mais de 140 pessoas, entre técnicos e produtores rurais, participaram do Dia de Campo na Mata Atlântica. Os participantes foram divididos em grupos, identificados pela cor do boné. Eles visitaram as estações temáticas e ouviram explicações sobre assunto técnicos, como Área de Sistemas de Produção (ASP), Área de Reserva Legal (ARL), Área de Preservação Permanente (APP) e Recuperação de Áreas Degradadas (RAD). Depois, se dividiam para visitar os experimentos científicos.

Nilton Falcão, produtor rural do município de Domingos Martins, na Região Serrana capixaba, fez questão de ir até o Norte do Estado para participar do evento. “Eu viso os dois lados, tanto a área de produção quanto a área de sustentabilidade. Tem que estar tudo alinhado. Não adianta produzir se não for sustentável”, disse.

“Estamos celebrando resultados auspiciosos que este trabalho obtém no setor primário de todo o país”, comemorou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes) e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária o Brasil (CNA), Júlio Rocha. Na solenidade de abertura do evento, Rocha entregou uma homenagem ao produtor rural Silvestre Milanesi, “pela visão de futuro, pela cessão da área para pesquisa experimental que contribui para a preservação da Mata Atlântica”, mencionou Rocha.

Ao todo, 25 projetos de pesquisa foram implantados na Mata Atlântica, utilizando 85 espécies arbóreas diferentes, entre nativas e exóticas. O Incaper coordena o evento, realizado pela CNA e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Aqui temos o primeiro sucesso do projeto biomas. Ele nasceu de uma demanda da sociedade, e temos que respeitar os aspectos técnicos, econômicos e sociais”, complementou Edson Tadeu, chefe geral da Embrapa Florestas. Emocionado, Gustavo Curcio, coordenador nacional do Projeto Biomas fez uma homenagem póstuma a Helton Damin da Silva, pesquisador e ex-chefe geral da Embrapa Florestas, falecido em julho.

Atividades complementares

Foram realizadas, ainda, algumas atividades complementares. No mini viveiro, os participantes conheceram mais sobre a maneira correta de coletar, armazenar e quebrar a dormência de sementes, e observaram demonstrações da produção e apresentação de mudas. O mostruário de xiloteca (arquivo de madeira) expôs cabos de ferramentas com informações sobre variação de peso, resistência e preço, além de tábuas de madeiras para diferentes fins, como caixotaria, pontes e postes, mourões, entre outros.

As diferentes técnicas de plantio foram demonstradas à beira da lagoa. Foram abordados assuntos como utilização e preparo do hidrogel, subsolagem, motocoveadora (mecanização) e plantio manual. Espécies como ingá, ipê felpudo, vinhático, sapucaia e aroeira estavam entre as 200 mudas utilizadas na demonstração.

“É interessante porque nos dá uma compreensão geral do projeto. A gente vê por que plantar, como plantar e o quê plantar. A mensagem é clara, e a gente deve ser multiplicador disso no nosso município”, disse Eliete Maria de oliveira Daher, presidente do Sindicato Rural de Conceição da Barra.

Outras atrações

Além do aspecto técnico, o evento apresentou outras atrações. As peças do servidor do Incaper Augusto Barraque, que recolhe galhos e raízes esculpidos pela própria natureza, ficaram em exposição. No cardápio do almoço, preparado pelo chefe Alessandro Eller, foi possível degustar os produtos da floresta. “Servimos filé de frango ao molho de juçara, farofa de castanha de sapucaia e salada crocante também com castanha de sapucaia. De sobremesa, tortinha de coco com sapucaia, que garante um toque amendoado a esta deliciosa receita”, disse Eller. A polpa de juçara foi servida em forma de sucos e sorvete.

Sobre o Dia de Campo na Mata Atlântica

O primeiro Dia de Campo do Projeto Biomas, no âmbito da Mata Atlântica, foi realizado pela confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com coordenação do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). O evento contou com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Monsanto e John Deere. As atividades foram desenvolvidas na última sexta-feira (12), na propriedade da família Milanesi em Linhares, norte do Espírito Santo.

 

 

 

Juliana Esteves

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