UE prevê arrefecimento da agroinflação

por admin_ideale

 


A União Européia (UE) avalia que os preços das commodities agrícolas continuarão flutuando, no médio prazo, em um nível mais elevado que o das ultimas décadas, mas que as altas recordes dos últimos meses não vão persistir.


A perspectiva foi apresentada ontem pela comissária de Agricultura da UE, Marian Fischer Boel, aos ministros europeus do setor. O anúncio aconteceu um dia antes da divulgação de um documento que analisa as causas do aumento dos preços e sugere algumas alternativas de respostas ao fenômeno.


A avaliação dos europeus, tanto grandes exportadores como importadores, é de que fatores estruturais que aumentaram os preços agrícolas não são passageiros. Mas que a tendência no mercado é de uma leve redução, como já ocorreu com os preços de cereais e lácteos, depois de passados “fatores temporários” como seca em algumas regiões.


A UE se apóia em projeções do Conselho Internacional de Grãos, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e de outras entidades, que prevêem algumas colheitas recordes no mundo este ano.


Para Fischer Boel, isso já teve efeito nos preços. A tonelada do trigo francês, que chegou a ? 300 no começo do ano, já declinou para ? 220. Nos EUA, as cotações do cereal para exportação baixaram entre 30% a 40% em relação ao pico de março. No mercado de futuros, contratos de junho indicam queda adicional de 15%, com cotações abaixo da “barreira psicológica” de ? 200 por tonelada.


Em uma semana, a OCDE e a FAO vão anunciar projeções de longo prazo que, segundo Fischer Boel, também confirmarão essas tendências. Isso significa que, em condições meteorológicas normais, pode-se esperar maior produção e recuperação dos estoques, transmitindo mais “moderação” aos preços. A expectativa é que as projeções acalmem os mercados.


A comissária européia destacou, também, o que chamou de boas notícias no lado das políticas. A Ucrânia, por exemplo, removeu sua cota de exportação para milho e aumentou as licenças de embarque para volumes maiores de trigo e cevada. A Rússia, por sua vez, não vai prolongar a taxa sobre a exportação de cereais, que vigora até o fim do mês de junho.


A avaliação européia é que restrições às exportações impostas em diversos países causaram “efeitos” prejudiciais. Exemplo disso seriam os preços do arroz. Para Fischer Boel, as restrições a exportação foram a principal razão para a explosão do preço da commodity.


Do lado da produção, a UE nota que a diminuição do ritmo de crescimento da oferta de grãos, como o trigo na Europa, está relacionada com os custos de insumos – fertilizantes, defensivos e diesel, entre outros -, que entre 1995 e 2007, aumentaram, em média, 45%. Já os preços agrícolas subiram 25%, segundo Bruxelas.


Do lado da demanda, a UE aponta como principal influência o crescimento econômico e as mudanças demográficas especialmente na Ásia. Também culpa a produção de etanol nos EUA, que afetou o mercado de milho e teve impacto sobre a soja. Fischer Boel aponta, ainda, a especulação financeira nos mercados futuros como outro fator altista.


Em meio à crise alimentar, a comissária defendeu a Política Agrícola Comum (PAC) européia. Em setembro de 2007, Bruxelas deu o sinal verde para o aumento de 10% na produção de cereais na Europa. Em dezembro, suspendeu tarifas de importação para esses produtos em 2008. Em março , aumentou em 2% as quotas de produção para leite.


Valor Econômico

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