Cacau gourmet desponta na Bahia

por admin_ideale

Após 25 anos atravessando a crise da cacauicultura baiana, os agricultores da região sul do estado – a maior do País no setor – optaram pelo cultivo da variedade gourmet para agregar valor ao produto. A praga "vassoura de bruxa" foi trazida do Amazonas em 1989 e a produção da Bahia, que chegava a bater 390 mil toneladas por safra, atingiu 90 mil toneladas na década de 90. Agora, parcerias entre fabricantes de chocolate finos e produtores estão sendo firmadas e o resultado já mira a consolidação no mercado internacional. Na bolsa de Nova York, o cacau gourmet pode ser vendido a um valor de US$ 2.500 acima do preço da amêndoa convencional.

A Bahia é o principal produtor de cacau no Brasil, seguido pelo Pará e Espírito Santo, além de lavouras menores em outros estados como o Maranhão. Para a safra 2013/2014 estima-se uma produção de 190,8 mil toneladas a nível nacional, sendo 132,3 mil toneladas da produção baiana. O País é o sexto maior produtor da amêndoa no ranking mundial, liderado pela Costa do Marfim.

O produtor da região de Ilhéus, João Dias Tavares, conta que no decorrer dos anos foi constatado que não era possível acabar com a "vassoura de bruxa", sendo necessário encontrar uma técnica que fizesse com que o produto se tornasse resistente à praga.

"Não podíamos aumentar a extensão das lavouras, caso contrário a doença iria se alastrar. Então, pesquisadores da região desenvolveram uma variação com um biofungicida que combate a vassoura de bruxa. De 2009 para cá começamos a nos recuperar e precisávamos provar para o mercado que poderíamos ter um produto fino com excelência internacional", lembra Tavares.

Atualmente, o produtor cultiva 340 hectares de cacau, sendo cerca de 70% nos parâmetros gourmet, nas variedades Forasteiro, Escavina e cruzamento entre ambos. Em termos de produtividade, Tavares diz que da fazenda Leolinda são extraídos semanalmente 4.500 quilos de cacau seco (que vai para a indústria moageira), ou 11.250 quilos da amêndoa mole (pesada antes do processo de fermentação). Um cacau convencional está cotado na bolsa de Nova York em US$ 3.100 por toneladas. João vende a US$ 5.600 o produto gourmet. Em 2013, seu faturamento atingiu US$ 340 mil e, para este ano, a expectativa é atingir US$ 520 mil.

"Cerca de 50% do retorno financeiro é para cobrir os custos de produção, diferente do cultivo convencional onde os custos são extremamente mais baixos", disse Tavares. "Para que um cacau seja considerado gourmet são necessárias quatro características fundamentais: não ter adstringência; baixo amargor; acidez agradável e uma nota especial, como um cheio floral ou com um tom que lembre outras frutas e dê ao consumidor uma característica sensorial mais apurada", explica Tavares.

Com as técnicas de cultivo do cacaueiro de alta qualidade, o produtor recebeu dois prêmios consecutivos no Salão de Chocolate de Paris.

Fomento

Um dos principais entraves do setor era a dificuldade de apresentação destes produtos ao mercado. Neste contexto, uma das empresas que estabeleceu parcerias comerciais de fomento ao produtor baiano foi a Harald, fabricante nacional de chocolates finos com cacau de origem 100% brasileira. "Nós sabemos da qualidade do cacau produzido no Brasil, mas o mercado ainda tem desconfiança e acredita que apenas o liquor (massa de cacau) importado permite a produção de um bom chocolate", afirma o presidente da companhia, Ernesto Ary Neugebauer.

Outra medida de fomento foi a criação da Cooperativa Agroindustrial de Cacau Fino (Cooperbahia), uma cooperativa inaugurada em 2011 com o objetivo de estabelecer um processamento de cacau a nível gourmet em pequenas quantidades – que atendam o porte de produtores como João Tavares.

"Tivemos um investimento na casa de R$ 16 milhões, com forte participação da Odebrecht", afirmam o diretor agrícola da cooperativa, Eimar Sampaio Rosa, e o diretor industrial, Adelmo Costa Lins. Atualmente, a Cooperbahia conta com 11 produtores associados, entre pequenos, médios e grandes, somando mais de 30 propriedades rurais distribuídas em 17 municípios da região cacaueira da Bahia.

 

 

 

 

Nayara Figueiredo

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