A presidente Dilma Rousseff trabalha forte para atrair o agronegócio para sua campanha à reeleição. E a principal interlocutora é a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), atual presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
“É bobagem querer fazer essa divisão de quem apoia ou não a presidente. Não existe uma classe desse tamanho unânime”, desconversa Kátia ao comentar quem está ao lado do governo federal. Em suas contas, o Planalto amealha os grandes produtores de soja – somo o senador Blairo Maggi (PR-MT). Por outro lado, pecuaristas, produtores de cana-de-açúcar e parte do segmento da soja namoram a oposição.
A petista quer quebrar a resistência que sofre por parte dos médios produtores, e evitar que eles embarquem em peso na candidatura do senador Aécio Neves (PSDB), ou mesmo na do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).
Anunciado nesta segunda-feira (19.05), o novo Plano Safra 2014/15 é uma espécie de convite ao Agronegócio para que aposte na reeleição. O orçamento foi aumentado em relação ao financiamento do ciclo anterior.
“Os grandes produtores estão com o governo, mas com os médios produtores não é bem assim”, afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, ao Estadão. O caos logístico é lembrado pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Almir Dalpasquale: “Temos a observação de que o setor não é unânime. Se a Aprosoja apoiasse a presidente Dilma, talvez não tivesse apoio de 100% do setor, talvez nem de 50%”.
“Temos de reconhecer que o governo fez coisas boas, como o crédito para máquinas agrícolas e o financiamento para a lavoura, políticas que têm de ser mantidas. Mas existe ainda um certo preconceito com as empresas do agronegócio (no Planalto). Falta o reconhecimento pelo governo da importância do setor e a garantia da segurança da propriedade privada, que é uma coisa básica para novos investimentos", diz o presidente da Associação Brasileira dos Criados de Zebu (ABCZ), Luiz Carlos Paranhos.

