Nesta quarta-feira (09), dois representantes da Nicarágua chegaram ao Espírito Santo para conhecer a experiência de produção de café conilon. Eles estão percorrendo o Brasil em busca de experiências exitosas com culturas agrícolas que podem ser incentivadas em seu país. No âmbito da cafeicultura, o trabalho desenvolvido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) no Espírito Santo foi escolhido para realização de uma visita técnica.
O representante da Secretaria de Desenvolvimento da Costa do Caribe, José León Avilés, e o especialista em Agrobiotecnologia do Instituto Nicaraguense de Tecnologia, receberam uma indicação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para visitar o Incaper. “O objetivo de nossa vinda ao Brasil é conhecer alguns cultivos que existem no país e que podem ser potencializados na região de clima tropical úmido, da Costa do Caribe, como o cacau, o coco e o café. O Incaper nos foi apresentado como uma referência de pesquisa e desenvolvimento na área de café conilon”, disse José Leon. Ele também falou que também conheceu a experiência da Embrapa, em Aracaju, e da Ceplac, na Bahia.
Os nicaraguenses também explicaram que o conhecimento acerca da experiência agrícola de outros países é fundamental para desenvolver a Costa do Caribe, região da Nicarágua de extrema pobreza rural e urbana. “Essa região é de colonização inglesa e não espanhola, e possui um desenvolvimento social e econômico diferente das demais regiões da Nicarágua. Queremos traçar um plano de desenvolvimento para essa localidade, que possui grande presença de afrodescendentes e indígenas”, falou León.
Atividades no Espírito Santo
Nesta quarta-feira (09), os nicaraguenses foram recebidos pelo diretor-presidente do Incaper, Maxwel Assis de Souza, e pela equipe do programa de pesquisa em cafeicultura da Sede do Instituto. Na ocasião, foi apresentado o Planejamento Estratégico do Incaper, o organograma da instituição e os resultados do balanço social de 2013.
De acordo com José León Avilés, a estrutura do Incaper pareceu ser a ideal para o que buscam desenvolver na Nicarágua. “O Incaper é a organização que sonhamos ter no futuro, pois atualmente não existe uma instituição que coordene os trabalhos de pesquisa e extensão em nosso país. Os esforços estão muito dispersos”.
Além da apresentação do Incaper, houve uma palestra técnica com o pesquisador e coordenador estadual do programa de cafeicultura Romário Gava Ferrão. Ele apresentou as tecnologias desenvolvidas pelo Incaper ao longo de 20 anos de pesquisa, bem como as diversas formas de transferência de tecnologia no campo. “É muito importante que o caminho percorrido para o desenvolvimento dessas tecnologias seja conhecido por diversos países. No entanto, não é possível transpor integralmente a tecnologia desenvolvida aqui para outro país. É preciso adaptá-la à realidade de cada local”, reiterou Romário.
Para conhecer mais as experiências do conilon capixaba, foi visitada uma lavoura de café que usa alta tecnologia em Timbuí, município de Fundão. Até o final da semana, serão conhecidos outros locais, como a Fazenda Experimental do Incaper em Marilândia, referência no desenvolvimento de tecnologias de café conilon; o viveiro clonal de café conilon da Cooperativa Cooabriel; propriedades em São Gabriel da Palha e Vila Valério; fazenda de café em Jaguaré e Linhares.
A visita dos nicaraguenses ao Estado pode avançar para um acordo de cooperação técnica, que envolva tanto a Embrapa quanto o Incaper.
Luciana Silvestre

