O Pará conquistou lugar de destaque no cenário nacional no que se refere à lavoura cacaueira, em função do acelerado crescimento nos últimos anos. A Bahia é o maior produtor nacional de cacau, mas ainda se recupera da crise que começou na década de 1980, quando a ‘vassoura de bruxa’ dizimou as plantações no Estado e fez o Brasil despencar no ranking da produção mundial.
No Pará, berço do cacau no País, os investimentos se intensificaram tanto na área agrícola como na industrial e a cultura se expandiu da Transamazônica, região de maior produção, para outras áreas do estado, como oeste, sul e nordeste. A principal vantagem dessa expansão são os diferentes tipos de cacau, como o de várzea, que beneficia a indústria.
A área plantada no Pará aumentou de 110 mil hectares, em 2011, para os atuais 147 mil hectares. Outros mil estão em vias de implantação no estado, que é o segundo maior produtor brasileiro de cacau. A produção de quase 90 mil toneladas deve subir para 104 mil neste ano, segundo a previsão dos técnicos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). A produtividade é de 916 quilos por hectare, uma das maiores do mundo. O Pará é o único estado que possui suporte financeiro próprio, o Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura (Funcacau).
“A Bahia deve seguir os passos da cacauicultura paraense e vamos aproveitar esse momento para que o país avance nessa economia”. A declaração do presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau, Guilherme de Castro Moura, abriu a 30ª reunião da entidade no Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia e Flor Pará, que terminou neste domingo (6), no Hangar Centro de Convenções e Feiras.
Indústrias de cacau
O avanço da cultura e as previsões favoráveis para o setor reforçam o Pará como a principal fronteira agrícola do País e atraem fortes investimentos para o Estado. Grandes empresas já se manifestaram para instalar aqui indústrias de beneficiamento do cacau para fabricação de chocolate e cosméticos.
O ex-secretário de Agricultura do Estado, Hildegardo Nunes, que falou sobre as perspectivas e ameaças à cacauicultura no Pará, informou que a dinâmica econômica no estado está acima da média nacional, mas também fez um alerta sobre a defesa sanitária: “Sem um plano estratégico estamos brincando de fazer defesa, precisamos de uma atenção especial para que as estruturas nos estados sejam fortalecidas”.
O secretário Estadual de Agricultura, Andrei Castro, informou que o cacau é o principal foco do Governo na área agrícola, com políticas voltadas ao fortalecimento da cultura, integração e capacitação dos agricultores familiares.
O Governo do Estado assinou termo de cooperação com o instituto de conservação ambiental The Nature Conservancy do Brasil (TNC), que atua em 35 países. O objetivo é desenvolver as cadeias produtivas sustentáveis voltadas à preservação dos recursos naturais. O termo vai facilitar a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no estado.
Mercado do Cacau

