Especialista alerta produtores para venderem café estocado antes da próxima safra

por Portal Campo Vivo

00cafe09O 7º Encontro Estadual do Conilon Descascado, promovido pela Cooperativa Agropecuária Centro-Serrana (Coopeavi) na última sexta-feira, em Santa Maria de Jetibá, foi um grito de alerta aos produtores capixabas com relação à possível importação do café do Vietnã. Na principal discussão do dia, o diretor comercial do Grupo Tristão, Márcio Cândido Ferreira, destacou a necessidade da venda imediata do atual estoque para as indústrias antes do início da safra de 2017 e da entrada do produto estrangeiro nos próximos meses, quando o preço tende a cair ainda mais.

A saca, que chegou a ser vendida por mais de R$ 500,00, vem sendo cotada em torno de R$ 450,00, apesar do aumento de custo da produção ocasionada pela estiagem prolongada no Espírito Santo nos últimos três anos. Diante disso, a postura dos produtores foi a de não abrir mão de toda a safra de conilon na expectativa de melhores preços. Segundo o palestrante, a consequência pode ser a perda efetiva de 5 milhões de sacas e a diminuição do percentual de conilon no blend do café solúvel, que antes da seca era 40% conilon e 60% arábica.

Com mais de 40 anos de experiência no setor industrial, Ferreira afirmou que o Brasil exporta 3,8 milhões de sacas de conilon para a indústria de café solúvel. No entanto, com os níveis não competitivos da variedade atualmente, a indústria brasileira fica incapaz de suprir o mercado consumidor, e o Vietnã aparece como alternativa, uma vez que tem investimento pesado do governo para passar a industrializar e exportar uma quantidade substancial de café solúvel.

Marcio Ferreira / Foto: Divulgação

Marcio Ferreira / Foto: Divulgação

“Os estadunidenses são compradores exclusivos do nosso café solúvel. Quando o Brasil não tem preço competitivo e a indústria vietnamita aparece como fornecedora do conilon, ainda que com preço remunerador e o produtor não o querendo vender, esse está aniquilando a capacidade da indústria brasileira de suprir o mercado internacional e a si próprio, porque está simplesmente tirando do Brasil a demanda de mercado que busca o produto industrializado. É um tiro no próprio pé”, declarou o diretor comercial do Tristão.

Ainda de acordo com Márcio Ferreira, o Grupo Tristão resolveu se posicionar contra a importação de conilon porque ainda acredita no produtor brasileiro. “Nós somos uma das primeiras indústrias de café solúvel do país e acreditamos na capacidade de diálogo na busca por solução. Se o produtor continuar olhando os valores altos do passado e não vender o seu café a preço remuneradores, vamos perder nosso mercado para o Vietnã. O mercado não aceita desaforo. Vamos virar essa página, vamos ganhar dinheiro!”, convocou o palestrante.

O vice-presidente da Coopeavi, Denilson Potratz; o gerente do Negócio Café da cooperativa, Giliarde Cardoso; e o deputado federal, Evair Vieira de Melo, engrossaram o coro, conclamando os cafeicultores para o impedimento da importação do café asiático. “Nós estávamos sozinhos na briga, mas outros Estados produtores como Rondônia, Bahia e Minas Gerais estão juntos com o Espírito Santo”, afirmou Potratz. “Estou confiante que vamos superar essa turbulência, mas não vamos aguentar outra pressão semelhante. O Espírito Santo precisa voltar às boas relações com a indústria, se organizar e fazer o dever de casa”, completou Evair.

O produtor cooperado Braz Zandonadi (61), de Afonso Cláudio, disse que o debate o despertou para a real situação do mercado de conilon. “Os preços elevados ficaram no passado recente. Nós vendemos metade da safra e estocamos a outra metade esperando melhorar preço. Agora, a partir do Encontro, os números ficaram mais claros”.

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