Preços despencaram e crise do café já tirou R$ 1 bilhão do ES

por admin_ideale

Os preços do café, que nos últimos meses despencaram e de tão baixos nem cobrem os custos de produção, são responsáveis pela crise que se agrava e prejudica o meio rural. Os produtores, que deveriam estar cuidando das lavouras para garantir boa produtividade, se preocupam e se ocupam com a falta de dinheiro para a manutenção da propriedade e também para pagar os financiamentos que começam a vencer. 

     A cafeicultura, carro-chefe da Agriculturado Estado, é a mais importante atividade econômica em mais de 50 municípios capixabas.Para se ter ideia do tamanho do impacto da crise cafeeira, basta dizer que a perda de renda bruta dosegmento café para este ano será de cerca de R$ 1 bilhão. A renda bruta é o faturamento que fica nas propriedades.

     O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, destaca que a perda é significativa. “Em 2012 a renda bruta do agronegóciono segmento café foi de R$ 3,3 bilhões. Neste ano será de R$ 2,3 bilhões no máximo”, explicou.

 

A CRISE

     O mercado global bem abastecido e os estoques altos desde o ano passado foram engordados com a boa safra deste ano. A reunião desses ingredientes acionou a bomba, e os preços caíram. O excesso de oferta desacelera o mercado e a cotação despenca. O resultado é redução média de 30% nos preços do produto. 

     A crise é tão severa que, pela primeira vez, os preços do arábica estão abaixo dos do conilon. “Podemos dizer que a cafeicultura de arábica está na UTI e a situação do conilon é muito grave”, enfatiza Bergoli.  Tradicionalmente os preços do arábica sempre estiveram acima da cotação do conilon. 

    De acordo com dados fornecidos pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV),os estoques de café nos países consumidores somavam 24,544 milhões de sacas em agosto último.O presidente do CCCV, Luiz Polese, explica que a safra de arábica foi boa nesse ano, mas “arrastou o preço do arábica para baixo e contaminou o preço do conilon”. 

    Segundo Polese as notícias dando conta da crise chegam de várias formas: os produtores reclamando, queda nas vendas de fertilizantes e crescimento menor das taxas do consumo mundial.O tempo de duração da crise, argumenta, vai depender muito do desempenho da safra de 2014. “Se os estoques e a produção caírem a crise será mais curta”, pondera.

 

MAIS ARÁBICA

     O gerente de Mercado de Café da Coopeavi, João Galimberti, confirma o grande volume de café estocado pelos produtores nas cooperativas. Os preços estão baixos,a cotação do conilon está no limite e o arábica está em situação pior. As indústrias de torrefação, que sempre utilizaram maior parte do conilon nos seus blends,mudaram a estratégia e estão ampliando a participação do arábica, aproveitando o preço baixo. 

    No início de agosto a saca do conilon estava cotada a R$ 242,00. Na semana última terça-feira o preço caiu para R$ 184,00. A saca do arábica, que em agosto foi vendida a R$ 240,00,caiu para R$ 173,00.

   Na avaliação de Galimberti, a fase de preços baixos pode persistir pelos próximos dois a três anos. Para os produtores capixabas a orientação é garantir a qualidade do café para agregar mais valor ao produto. 

   A tendência, explica ele, é que os cafeicultores capixabas não venham a fazer a substituição das lavouras, mesmo se a crise persistir. Mas nos demais Estados do país, os grandes produtores certamente eliminarão as lavouras de café mais velhas e vão substitui-las por outras plantações, como grãos e cana-de-açúcar, por exemplo.

  

A Gazeta 

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