Não é de agora a vocação exportadora do Espírito Santo. Vem de três características básicas do Estado e de sua população: Primeiro, somos produtores de commodities, a exemplo do café, com o qual se observou a dominância, por mais de 100 anos, na expressão econômica capixaba. Seguiu-se o minério, a celulose e chapas de aço e outros produtos de menor expressão econômica.
Segundo, as condições naturais da costa capixaba nos credenciaram à instalação de portos especializados em exportações de celulose, pellets de minério e chapas de aço, ficando os portos de carga geral em plano inferior, a ponto de exportarmos café verde pelo terminal do Rio de janeiro.
Terceiro, como Estado de poucos consumidores, em vista da pequena população relativamente à população brasileira, temos um mercado interno pouco expressivo, não nos restando outra alternativa senão nos transformarmos gradualmente numa plataforma de exportação.
Essa vocação exportadora, apesar dos percalços de uma logística sofrível, nos transforma em canal de escoamento de vários produtos do agronegócio que tem origem em matérias primas de fora, ou mesmo cuja produção final se verifica em outros estados.
Assim, as exportações do agronegócio estão fortemente contaminadas por esse viés de plataforma de exportações em que vem se transformando o Espírito Santo. Esses números de exportações do agronegócio, se não forem expurgados aqueles cuja origem são de outros estados, não significam nada. Ao contrário de ajudar a entender a economia do agronegócio capixaba, confundem os analistas menos avisados e deturpam a verdadeira realidade da agricultura capixaba.
Wolmar Roque Loss
Eng. Agrônomo
Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico.
Superintendente do CREA/ES

