12 de outubro – Dia do Engenheiro Agrônomo.

por admin_ideale

No dia 12 de outubro é comemorado o Dia do Engenheiro Agrônomo.

O Portal Campo Vivo parabeniza a todos estes profissionais que contribuem decisivamente para o sucesso da agropecuária capixaba e nacional.

Confira abaixo, entrevistas com o atual presidente da Sociedade Espiritossantense de Engenheiros Agrônomos (SEEA), Eng. Agrônomo Geraldo Fereguetti; e com o gerente da Unidade de Fiscalização do Crea-ES, Eng. Agrônomo José Adilson de Oliveira, que presidiu a SEEA por dois mandatos, no período de junho de 2009 a maio de 2013. 

Em 2013, a profissão de Engenheiro Agrônomo completa 80 anos de regulamentação. A categoria tem muitos motivos para comemorar? 

Geraldo Fereguetti – Tivemos momentos distintos nesses 80 anos de regulamentação. Se não temos muitos motivos hoje para comemorar, também não podemos dizer que foi de todo ruim. 

Vivenciamos era de incertezas, com outras profissões como zootecnistas, técnicos agrícolas, biólogos e etc., tentando por força de lei, e argumentos frágeis, invadir o espaço profissional do Engenheiro Agrônomo. Muitos colegas nossos, empregados na iniciativa pública, principalmente municipal e estadual ainda não recebem salários dignos. Mais ainda, o curso de Agronomia está sob ameaça, sendo pulverizado devido à tentativa sistemática do Governo Federal em fragmentar e lotear a nossa profissão, e baratear os salários dos profissionais, não só do Engenheiro Agrônomo, mas de todas as profissões derivadas, devido à especificidade. 

Por outro lado, podemos comemorar a importância do Engenheiro Agrônomo nas conquistas do agronegócio, o reconhecimento mundial do trabalho da EMBRAPA, da participação fundamental dos colegas da INCAPER no desenvolvimento da cultura do café conilon, do aumento real (mais que duplicação), dos salários dos profissionais engenheiros agrônomos empregados na iniciativa privada, da maior facilidade que os profissionais recém-formados têm hoje para conseguir o primeiro emprego, tudo isto são fatores que nos levam a crer que o balanço de certa forma foi positivo. 

José Adilson de Oliveira – Foram anos de lutas e persistência. Para exemplificar registro que a 1ª turma de Engenheiros Agrônomos formados oficialmente no Brasil, colou grau no dia 23 de janeiro de 1881, na Imperial Escola Agrícola da Bahia, ligada ao Imperial Instituto Bahiano de Agricultura, curso este, hoje, integrado à Universidade Federal da Bahia, no campus de Cruz das Almas. Portanto, a classe agronômica levou 52 anos para conseguir a regulamentação da profissão que veio com o Decreto Federal 23.196 de 12 de outubro de 1933, que completa 80 anos agora em 2013. 

Sem sombra de dúvidas temos muito a comemorar! Não posso deixar de aproveitar a oportunidade para registrar que, sem arrogância nem soberba, tenho até receio de imaginar o que teria acontecido com o Brasil se não fosse o extraordinário desenvolvimento e contribuição da cadeia produtiva da agricultura, modernamente chamada de agronegócio da qual a Classe Agronômica faz parte. 

Ilustro este comentário com duas realidades comprovadas. A primeira foi que nas últimas quatro décadas o setor produtivo rural, com a efetiva participação dos Engenheiros Agrônomos, contribuiu significativamente para a redução do comprometimento do salário dos menos favorecidos na aquisição da cesta básica, esta redução foi de 45% para menos de 20%. 

A segunda foi que graças ao expressivo aumento da produção e da produtividade de grãos que nosso país conquistou a posição de um dos maiores produtores de alimentos do mundo. O magnífico aumento da produtividade nestes últimos 40 anos, permitiu ao país poupar mais de 100 milhões de hectares de recursos naturais. Ao contrário do que falam os desinformados pseudoambientalistas, serviçais de nossos concorrentes internacionais, nenhum segmento, atividade ou instituição contribuiu tanto para a preservação do meio ambiente. Para não me alongar muito cito apenas estas contundentes verdades reais dos fatos. 

Quais os principais desafios da atualidade para os profissionais da área? 

Geraldo Fereguetti – Dados da FAO dizem que o mundo hoje possui aproximadamente 1 milhão de indivíduos com subnutrição crônica, alimentando-se em menor quantidade do que aquela necessária para atingir os níveis mínimos de energia para a sobrevivência. A população mundial deve atingir a casa dos 9 bilhões de indivíduos até 2030, indicando que a produção de alimentos terá que praticamente duplicar para atender a demanda do crescimento demográfico e alimentar dignamente a população existente, e o Brasil com seus 8.5 milhões de Km2 é um dos poucos que tem potencial para atender crescer a produção e atender a esta demanda. 

Mas a realidade atual exige que este crescimento se dê sem derrubarmos uma árvore, com uso restrito de água para irrigação, proibição do uso de defensivos agrícolas ou agrotóxicos como queiram, ou seja, com toda sorte de limitações advindas de uma legislação ambiental cada vez mais restritiva. 

Este é o cenário em que o Engenheiro Agrônomo deverá atuar, produzindo de forma responsável e sustentável, garantindo às novas gerações o acesso a um ambiente produtivo e ambientalmente equilibrado. 

Para atender a estas demandas, podemos citar algumas iniciativas indispensáveis: é fundamental o desenvolvimento de novas pesquisas focadas neste novo modelo de desenvolvimento e a efetivação de um programa de assistência técnica pública – privado vigoroso, feito por profissionais treinados e reciclados. Também é crucial a participação do engenheiro agrônomo na implementação de uma política agrícola sustentada na realidade de cada região. Para isso, é essencial a revisão dos currículos dos Cursos de Agronomia, proporcionando que as Universidades voltem a formar profissionais mais completos e, principalmente, que os Engenheiros Agrônomos reconheçam a sua importância como classe e se organizem para que tenham representação política e possam participar de forma direta na formulação das estratégias de desenvolvimento da agricultura do país. 

José Adilson de Oliveira – Considerando as estimativas da FAO/ONU, os profissionais Engenheiros Agrônomos precisarão auxiliar o setor produtivo rural a repetir nas próximas quatro décadas, o sucesso alcançado nas últimas e, agora, trabalhando com regras muito mais rígidas do ponto de vista econômico, social e ambiental. 

Aliado aos ataques de outras profissões que tentam a cada momento retirar, equivocadamente, atribuições dos Engenheiros Agrônomos, estes são os maiores desafios que enfrentaremos e, vamos vencê-los! 

 

Com informações do Crea-ES

 

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