Segundo agentes consultados pelo Cepea, as negociações da variedade estiveram bastante limitadas no mercado interno, com boa parte dos vendedores optando por segurar seus lotes, à espera de uma recuperação nos preços. Além disso, em agosto, vendedores ainda aguardavam novidades com relação ao auxílio do governo.
Caso seja vantajoso entregar o café para o governo, os comentários foram de que a disponibilidade de grãos de melhor qualidade seja menor para comercialização no físico. Quanto ao ritmo das atividades de campo, agentes do Cerrado mineiro e da Mogiana paulista indicaram que, nestas regiões, restavam cerca de 20% dos grãos para serem colhidos até o final de agosto, sendo que, em algumas áreas, já estavam no período de varrição.
No Sul de Minas Gerais, ainda restavam entre 20 e 30% para serem colhidos. Já nas regiões da Zona da Mata mineira e de Garça (SP), segundo colaboradores locais, faltavam 10% dos grãos para serem colhidos.
No Noroeste do Paraná, entre 15 e 20% dos grãos ainda deviam ser colhidos. Com relação à qualidade do café desta safra, varia conforme a região. No Cerrado mineiro, na Mogiana paulista e no Sul de Minas, o grão esteve um pouco melhor do que o observado na safra passada.
Já na Zona da Mata mineira, em Garça e no Noroeste do Paraná, a qualidade esteve mais baixa ou aquém do esperado. De acordo com colaboradores do Cepea, especialmente nessas regiões, o clima chuvoso no momento da colheita prejudicou a qualidade – muitos grãos caíram no chão, resultando em bebidas mais fracas. Há casos, também, de produtores que realizaram menor investimento nas lavouras. Um ponto em comum entre todas as regiões é o maior volume de grãos miúdos e mal granados, que tem resultado em menor rendimento em sacas e problemas de peneira.
No período de granação do café, no início deste ano, o tempo foi seco, limitando o desenvolvimento de parte dos grãos.

