ARTIGO – Comportamento do câmbio e os preços do café

por admin_ideale

Parece não haver mais dúvidas de que o dólar forte veio para ficar. No Brasil, os efeitos sobre a economia como um todo será mais intenso do que na maioria dos países em desenvolvimento. Com efeito, a alta do dólar mexe com toda a economia. Esta alta decorre da decisão de mudanças na política monetária americana, de iniciar a redução dos incentivos internos, pois há indicações de que a economia dos EUA está em fase consistente de recuperação. Esta decisão reflete no câmbio e afeta as economias de todos os países.

Para nossa economia, problemas domésticos relacionados às incertezas sobre os rumos da política econômica acabam sendo um complicador adicional quanto ao comportamento do câmbio, das exportações e importações, da inflação e dos juros internos.

Dólar valorizado não significa simplesmente aumento das exportações. Há efeitos positivos e negativos a considerar na equação das relações comerciais externas. No caso do café, por exemplo, ainda que os preços venham a melhorar em real, não há como negar que dólar alto significa também pressões inflacionárias, salários nominais maiores por demanda sindical, aumento de custos de insumos, máquinas e equipamentos. Ou seja, estamos em uma economia cada vez mais atrelada com o exterior, o que significa que é preciso analisar simultaneamente todos os efeitos das alterações cambiais no reto do mundo.

Para o banco holandês Rabobank, considerando o seu boletim trimestral de análise das expectativas de preços de commodities agrícolas para o terceiro trimestre deste ano, não há maiores riscos para quedas mais acentuadas de cotações dos arábicas. Mas seus estudos, concluídos com base principalmente em comportamentos de preços e de comércio exterior do segundo trimestre, não puderam levar em conta os solavancos do câmbio da semana passada. Mas seus analistas foram prudentes ao afirmar que “o recuo mais acentuado das cotações do grão seria uma desvalorização mais pronunciada do real frente ao dólar e uma revisão para cima da safra 2013/14 na Indonésia”.

Assim, estamos diante de um fato novo, o dólar valorizado e forte, sobre o qual se assentarão os novos preços do café, devendo ainda ser levado em conta que temos o carregamento de estoques da safra 2012/2013 e uma expectativa de produção 2013/2014 ainda muito frouxa, em vista do início da safra. Isso indica que revisões para cima da previsão de oferta de café podem desencadear um movimento acelerado de vendas de estoques e intensificar possíveis quedas.

De outro parte, uma revisão para baixo tende a recuperar parcialmente os preços, principalmente se for eficaz a operacionalização dos contratos de opções de venda ao Governo Federal de 3 milhões de sacas de café.Não podemos esperar pra ver. O negócio de curto prazo é clamar para que se deflagrem imediatamente os leilões de opção de compra, com valores de R$ 343,00/saca, do Governo Federal.

 

Wolmar Roque Loss

Eng° Agrº, Ms em economia rural e desenvolvimento econômico.

                                                                                                                   Superintendente do Crea-ES

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