Com vendedor capitalizado, preço do café robusta continua subindo

por admin_ideale

Em julho, a demanda firme e a retração vendedora elevaram os preços do café robusta, que retomaram os patamares observados no início de 2013. Segundo colaboradores do Cepea, muitos traders se mostraram interessados na aquisição do café, já que tinham compromissos para cumprir. O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima teve média de R$ 248,91 /saca de 60 kg em julho, 1,56% superior à de junho. O tipo 7/8 bica corrida teve média de R$ 242,36 /sc, 1,58% maior – ambos a retirar no Espírito Santo. Na Bolsa de Londres (Euronext Liffe), o contrato de robusta com vencimento em setembro fechou a US$ 1873,00/tonelada no dia 31 de julho, alta de 4,9% ante o dia 1º.

 

Vendedor firme e demanda aquecida sustentam preço
Na safra brasileira 2012/13, os preços do café robusta conseguiram relativa sustentação no físico brasileiro, ao contrário do observado para o arábica. De julho/12 a junho/13, o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima teve média de R$ 264,98/saca de 60 kg, apenas 3,9% abaixo do observado em 2011/12 – em termos nominais. O robusta tipo 7/8 bica corrida, que foi o principal tipo negociado na temporada recém-concluída, teve média de R$ 258,52/saca de 60 kg, queda de 5,3% ante a 2011/12. Já o arábica desvalorizou quase 25% na mesma comparação.

Mesmo com a produção recorde na temporada, os preços do robusta estiveram relativamente firmes pela combinação de forte retração de vendedores com demanda aquecida por parte das torrefadoras nacionais, fatores que continuam garantindo certa sustentação aos valores neste início da safra 2013/14.

Nesta nova temporada, produtores estão, inclusive, mais confiantes quanto aos preços do que no mesmo período do ano passado, pois acreditam que a colheita no Espírito Santo será menor que a estimada. Assim, permanecem retraídos, ao passo que compradores têm necessidade de aquisição para atender as indústrias de torrefação.

O consumo de café no País para a safra 2013/14 tem previsão 21,15 milhões de sacas, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), acréscimo de 2,2% em relação à safra anterior. Com base no que tem sido visto nas lavouras, colaboradores do Cepea comentam que a colheita de robusta no Espírito Santo terminou com boa parte dos grãos apresentando menor calibre, com maior quantidade de defeitos, escuros e fora de padrão em relação à temporada passada. Esses agentes estimam que poderá haver redução de até 30% na safra 2013/14 frente à anterior devido, principalmente, ao menor calibre dos grãos. Porém, ressalvam que é cedo para precisar o tamanho da retração e aguardam uma nova estimativa oficial.

Caso uma queda ao redor de 30% seja confirmada, corresponderia a uma produção abaixo de 7 milhões de sacas de robusta no Espírito Santo, bem menos que as 9,2 milhões de sacas previstas até agora pela Conab. A qualidade e tamanho inferiores do café capixaba resultam da estiagem do final de 2012 e do calor excessivo no verão. A escassez de chuvas persistiu justamente após a floração, quando há o enchimento dos grãos e é grande a necessidade de água. Porém, agentes relatam que as safras 2011/12 e 2012/13 foram atípicas. Chuvas abundantes no período de floração e maturação beneficiaram os cafezais e geraram cafés graúdos e com poucos defeitos.

Já Rondônia também teve a colheita 2013/14 finalizada. Produtores esperavam que a colheita fosse adiantada este ano, porém as chuvas abundantes – atípicas – dificultaram os trabalhos no campo. O café deste estado está com boa qualidade, com algum ganho em termos de bebida e de tamanho dos grãos em relação à safra anterior, apesar da dificuldade para a secagem em terreiro.

 

Cepea 

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