BNDES comprova a crise nos investimentos do setor sucroalcooleiro

por admin_ideale

 

Poucas
instituições no Brasil estão tão bem posicionadas para saber com propriedade
para onde as empresas estão direcionando seus investimentos. O Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) certamente está entre elas. Os
técnicos do banco aproveitaram a posição privilegiada que a empresa pública
possui para fazer uma ampla pesquisa sobre o assunto. E o setor sucroalcooleiro
foi um dos destaques, porém não da forma como o setor produtivo gostaria.

A
pesquisa do BNDES, publicada no início do mês, comprovou o que o setor de
etanol já vem alertando há tempos. Mantendo-se o cenário atual, os próximos
quatro anos devem ser de investimentos mínimos por parte do setor
sucroalcooleiro. Enquanto o quadriênio 2008-2011 marcou um período de grandes
aportes do setor, com um volume financeiro aplicado de R$ 47 bilhões, o ano de
2013 abre um quadriênio de muita cautela, com drástica redução nos valores.
Segundo a pesquisa, as perspectivas indicam que apenas R$ 5 bilhões serão
investidos entre 2013 e 2016. O recuo equivale a 90,2% na comparação entre os
períodos e está na contramão da expectativa de aportes da maioria dos segmentos
revelados pelo banco.

O
panorama das diversas áreas mostra que este quadriênio terá um salto de 29% no
volume investido, passando de R$ 2,951 trilhões para R$ 3,807 trilhões.
“Espera-se um crescimento de quase 30% em comparação ao quadriênio
2008-2011”, diz o relatório. De fato, entre os 19 setores de indústria e
infraestrutura que tiveram as projeções especificadas, apenas três registram
expectativa de menor investimento e, mesmo assim, a indústria de etanol é que
mais perde percentualmente. Nos setores de extração mineral e de siderurgia,
que também devem vivenciar um encolhimento dos valores, a redução estimada é de
-15,1% e -21,4%, respectivamente.

As
baixas seriam explicadas pela desaceleração dos segmentos após períodos de
forte investimento. Em relação ao setor sucroenergético o mapeamento feito pelo
BNDES não localizou projetos significativos. Além do alto nível de
endividamento de algumas empresas, o momento é de contenção e redução da
alavancagem, conforme diagnosticou a instituição bancária. A respeito dos
dados, é notável que boa parte do forte investimento do período anterior foi
viabilizado pelo próprio BNDES, que no quadriênio 2008-2011 desembolsou R$ 29,1
bilhões em financiamentos para o setor, o que significa 61,9% do total
aplicado.

A variável pré-sal

Outro
comprovação presente na pesquisa do BNDES é justamente uma que o governo não se
sente muito a vontade em conversar. A polêmica de que o pré-sal faria o
interesse pelos biocombustíveis diminuir na esplanada dos ministérios, ganhou
reforço com o resultado dessa pesquisa do BNDES.

A
indústria de petróleo e gás deverá ter um salto de 46,8% em investimentos. No
quadriênio 2008-2011 foram aplicados R$ 276 bilhões, a partir deste ano devem
alcançar nada menos que R$ 405 bilhões, boa parte na estatal Petrobras.
“Do valor a ser investido pelo setor, destacam-se os recursos destinados
ao desenvolvimento da produção no pré-sal e à construção de sondas de
perfuração em estaleiros nacionais”, detalha o próprio BNDES. A área é
apontada como um dos destaques, “responsável por 11% do total do
levantamento, bem como infraestrutura e serviços de transporte, que puxam o
ritmo de crescimento do investimento”.

O cenário não considerado pelo BNDES

A
pesquisa levantou apenas as perspectivas de investimentos atuais e, portanto,
não considera mudanças de políticas públicas ou situações que destravarão os
investimentos. Para o setor sucroalcooleiro a perspectiva mais promissora é um
pacote de incentivos ao etanol que estaria praticamente concluído dentro dos
ministérios. O principal item conhecido até agora seria a redução no
PIS/Cofins. Isto logo após o reajuste no preço da gasolina e o anúncio do
retorno da mistura de etanol para o patamar de 25%. Medidas importantes que
estavam sendo ansiosamente aguardadas pelo mercado. Além disso tivemos uma
recente declaração pública da Presidente Dilma Rousseff valorizado o papel do
etanol.

No
entanto, diversos representantes do setor já afirmaram que as medidas adotadas
até agora e esta redução de PIS/Cofins não serão suficientes para que o Brasil
vivencie um novo ciclo de investimentos na cana-de-açúcar.

 

 

 

 

Nova Cana

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar