O preço do leite
recebido pelo produtor em fevereiro (referente à produção de janeiro) aumentou
1,35% em relação ao mês anterior, com o litro cotado na média de R$ 0,8219
(preço líquido), segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Esse valor refere-se à média ponderada
pelos volumes captados nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA. O preço bruto,
ou seja, quando se consideram frete e impostos, subiu para R$ 0,8941/litro.
Este valor, se comparado ao do mesmo período do ano passado, está levemente
superior (0,6%) em termos reais – considerando-se a inflação (IPCA) do período.
Os reajustes foram motivados pela queda da produção em janeiro. Conforme o
Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite), o volume recebido por
laticínios/cooperativas de sete estados recuou 2,67% de dezembro para janeiro.
Na Bahia, a queda chegou a 10,8%, a maior entre os estados da pesquisa. Em
seguida, Minas Gerais teve captação 5,2% menor, acompanhado de Goiás (4,6%) e
São Paulo (2,4%). Já no Sul, a captação avançou 0,76% devido, principalmente,
ao aumento da produção do Paraná (6,1%), único estado da pesquisa que produziu
mais em janeiro que em dezembro.
Por sua vez, a menor captação reflete as dificuldades para o produtor manter os
investimentos na atividade. Conforme pesquisadores do Cepea, insumos
importantes como o concentrado e fertilizantes ficaram levemente mais baratos
no início deste ano, mas, como esperado, o custo de produção aumentou com o
reajuste do salário mínimo, que tem impacto direto nas despesas com mão de
obra.
Além dos custos mais altos, outro problema apontado pela equipe Cepea é o forte
calor, que reduziu o desempenho produtivo dos animais na maioria das regiões
pesquisadas. No Nordeste, em especial, pesa também a escassez de forragem para
o rebanho devido à estiagem prolongada. Paralelamente, agentes consultados pelo
Cepea relatam que o excesso de chuvas no Sudeste e em algumas regiões do Sul
também prejudicou o transporte de leite da propriedade até a plataforma das
indústrias.
No segmento de derivados lácteos, fevereiro tem sido um mês de estabilidade,
conforme o Cepea. Tanto o preço do leite UHT como do queijo muçarela no atacado
do estado de São Paulo seguem praticamente nos mesmos níveis de janeiro.
O leite UHT em fevereiro (cotação até o dia 27) tem média de R$ 1,90/litro e o
queijo muçarela, de R$ 11,42/kg, ligeiras reduções de 0,9% e 0,15% em relação a
janeiro, respectivamente. Colaboradores do Cepea acreditam que o consumo tenda
a aumentar a partir de agora, com a retomada efetiva das aulas, e que os preços
devam se recuperar. Essa pesquisa do Cepea é feita diariamente com laticínios e
atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas
Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios
(CBCL).
AO PRODUTOR –
Em fevereiro, os preços aumentaram em quase todos os estados da pesquisa Cepea;
a exceção foi São Paulo, onde a média foi de R$ 0,9035/litro (preço bruto), com
leve redução de 0,7% frente a janeiro. Já na Bahia aconteceu o maior aumento
entre os estados da pesquisa, de 7,8% (ou 6,5 centavos por litro), com o litro
cotado a R$ 0,8918. Em Goiás, o aumento foi de 1,9% (ou 1,7 centavo por litro),
com a média bruta a R$ 0,9223. Logo em seguida esteve Santa Catarina, com alta
de 1,54% e média de R$ 0,8772, o que significa 1,3 centavo a mais por litro.
No Paraná, o reajuste foi de 1,52% (1,3 centavo por litro), com a média a R$
0,8972/litro. Em Minas Gerais, com o aumento de 1,2 centavo, o litro teve média
de R$ 0,9050. Por fim, no Rio Grande do Sul, o aumento foi de 1,3% ou 1,1
centavo por litro, sendo média calculada em R$ 0,8364/litro.
Entre os estados que não compõem a “média nacional Cepea”, o maior aumento
(1,2%) aconteceu no Espírito Santo, onde o litro foi cotado a R$ 0,8783 (valor
bruto). No Rio de Janeiro, o preço do leite aumentou 1% (0,9 centavo), com a
média indo a R$ 0,9601/litro. O preço no Ceará teve aumento de 0,8% (0,8
centavo), chegando a R$ 0,9611/litro. Em Mato Grosso do Sul, o preço ficou
praticamente estável, com leve alta de 0,4%, com o litro a R$ 0,8039.
Para o mês de março (produção de fevereiro), a maior parte dos representantes
de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea (56% dos entrevistados, que
representam 52,1% do volume de leite amostrado) acredita em estabilidade nos
preços. Já para 34% dos entrevistados (que representam 41,9% do volume de leite
amostrado), a expectativa é de nova alta e 10% dos consultados (6% do volume
amostrado) acreditam que deve haver queda nas cotações.
Agrolink com informações de assessoria
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