Mercado de meio sangue está confuso e afeta reposição, dizem criadores

por admin_ideale

A intensa divulgação pela mídia quanto à restrição
imposta para uso de receptoras por determinação da ABCZ – Associação Brasileira
de Criadores de Zebu está causando confusão no mercado de reposição de meio
sangue, principalmente para uso dessas fêmeas como receptoras. A medida
restritiva será válida a partir de 2014 e obriga o uso de novilhas e vacas
zebuínas como receptoras de embriões apenas para quatro raças: nelore, brahman,
sindi e indubrasil. Na prática, a medida atende a uma reserva de mercado, está
causando confusão no meio e vem tirando a liberdade de escolha do criador.

A “febre da receptora” está fazendo com que muitos
criadores deixem de usar raças de alta habilidade materna, como o simental e o
pardo-suíço, e passem a usar cruzas entre zebuínos com o objetivo de atender o
mercado de receptoras para 2014. Esta atitude já está provocando a falta de
receptoras meio sangue simental x zebu, consideradas entre os criadores como as
melhores receptoras devido a sua alta habilidade materna, fertilidade e tamanho
e largura de garupa (diretamente relacionada com um parto mais fácil).

Hoje mesmo se pagando um preço nas fêmeas meio
sangue simental x zebu acima do mercado várias centrais de transferência de
embriões estão sentindo a falta desses animais para repor seus estoques de
receptoras. Estas fêmeas que em média custavam R$ 1.000,00 hoje estão sendo
negociadas por R$ 1.200,00 chegando a R$ 1.300,00. “É preciso esclarecer que há
um amplo mercado para fêmeas meio sangue zebu x taurino que vai além do registro
genealógico da ABCZ”, explica Mario Aguiar, da Taurus Genética e Tecnologia
Ltda, de Botucatu/SP.

 

Para a pecuária leiteira, as novas regras da ABCZ
são inférteis. Raças de leite como holandesa, gir e girolanda – que estão
crescendo rapidamente por meio de TE e FIV e portanto usando enorme quantidade
de receptoras -, e raças de corte europeia como simental, angus e brangus –
dentre outras – não estão subtmetidas a esta obrigatoriedade e obviamente não
usarão receptoras zebuínas. “Isso é um fato”, reforça Ricardo Pulzatto, da
Central Santa Fé, de Maringá/PR. Para ele que lida com gado zebu e europeu, a
ABCZ deveria mudar o enfoque e incentivar o uso de meio sangue zebu x zebu
estabelecendo valores diferenciados no registro do animal, como é feito, por
exemplo, com o cavalo quarto-de-milha, na ABQM. “Os filhos das receptoras 100%
zebu pagariam a taxa de registro normal e as filhas das receptoras zebu x
taurino pagariam uma taxa diferenciada a maior, assim incentivando o uso da
receptora zebu. A opção do uso da receptora zebuína ou mestiça ficaria a
critério do criador conforme seu manejo”.  

Marcelo Gaeta, da Central Barranco Vermelho, de
Avaré/SP, enxerga um mercado ainda mais aquecido para o meio sangue zebu x
taurino, especialmente o simental x zebu, por conta das qualidades deste
híbrido. “A raça simental se aplica em todo o país, em qualquer sistema de
seleção ou acasalamento, sendo eficiente tanto no corte quanto no leite por sua
dupla aptidão comprovada na prática”. Em sua opinião o mercado de meio sangue
não se restringe a receptoras, embora seja valioso.



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