Esclarecimentos devem por fim a restrições a carne, avalia consultor

por admin_ideale

As
restrições temporárias a compra da carne bovina brasileira adotadas por dez
países depois que o governo federal confirmou em dezembro do ano passado um
caso não clássico do agente da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a
doença da vaca louca, devem ser suspensas gradativamente, a partir de um amplo
trabalho de esclarecimento sobre a situação. A avaliação foi feita pelo
consultor de mercado, Carlos Dupas, em Campo Grande.

Segundo
o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), foi confirmada a
existência de marcação priônica (proteína modificada) em amostra de célula de
um bovino morto em 2010, no Paraná. De acordo com a pasta, foi uma ocorrência
não clássica do agente da EBB, uma vez que verificações apontaram que o animal
não morreu desta doença.

O
MAPA informou a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre o caso. A
entidade, conforme o ministério, tendo em vista que não ocorreu alteração
epidemiológica que indicasse falha nas medidas de prevenção de risco, manteve o
status do Brasil como país de risco insignificante para EBB, a melhor
classificação existente.

Em sua página oficial na internet (http://www.oie.int/), a OIE além de reiterar a
manutenção do País com esse status, ainda aponta que não existe qualquer tipo
de risco no consumo da carne bovina brasileira e que no caso não clássico
registrado no Paraná, a carcaça foi destruída e não entrou na cadeia alimentar
humana ou animal.

O consultor de mercado disse que a reação dos países ao aplicar restrições a
compra da carne brasileira, em um primeiro momento foi um sinal de preocupação.
“Eles receberam a informação atrasada, o que complicou um pouco a situação
para que houvesse uma avaliação melhor do que aconteceu. Neste sentido, o governo
brasileiro está agindo rapidamente. Está indo até esses países para explicar
tudo o que aconteceu”, comenta.

Entretanto,
Dupas aponta que outro fator que não pode deixar de ser analisado neste caso é
que os países que suspenderam as compras também querem utilizar esse fato para
abaixar o preço da carne. “Eles querem conseguir comprar com um preço
melhor e aproveitar toda uma circunstância para fazer um acordo comercial
melhor do que vinham fazendo”, aponta.

Ele
aponta que, por enquanto, as restrições ainda não estão tendo um reflexo forte
no Brasil, principalmente, porque os países que adotaram as suspensões não são
grandes importadores do País. “A preocupação poderia ser o Chile, mas, o
país não suspendeu a importação de carne, mas sim proibiu a compra de farinha
de carne e farinha de osso. A Rússia, que era uma preocupação ainda não definiu
e tudo indica que não vai decretar a suspensão”, analisa.

O
consultor reafirma que se o governo brasileiro fizer um giro por esses países,
com o envio de missões oficiais, que consigam explicar de maneira adequada o
que ocorreu de fato neste caso as restrições vão ser revistas e a
comercialização vai ser restabelecida. “Aos poucos a coisa tende a se
acomodar, não acredito em maiores problemas, houve uma repercussão e uma
preocupação forte no começo mas isso tudo vai ser revisto, até porque não
existe excesso de carne bovina no mundo e nenhum outro país que possa
oferecê-la na quantidade e qualidade que o Brasil dispõe”, concluiu.



Anderson Viegas

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