Fruticultura empreendedora

por admin_ideale


Fruticultura
empreendedora

Cultivo
de frutas cresce no Espírito Santo, diversificando produção rural e gerando
renda no campo




Nos últimos anos, o cultivo de
frutas vem ganhando espaço e aumentando a renda de famílias rurais do Espírito
Santo. A fruticultura já representa 17% do Valor Bruto da Produção
Agropecuária, aquele valor que fica com o produtor. Depois do café e da
pecuária, de carne e leite, é a terceira atividade na formação de renda no
setor rural. São aproximadamente 85 mil hectares de área plantada com frutas no
Estado movimentando cerca de 600 milhões de reais. A união da cadeia produtiva
está possibilitando parcerias que têm resultado em crescimento do setor da
fruticultura. Implantando novas tecnologias no cultivo, os fruticultores
conseguiram aumentar a produção do Estado de 750 mil toneladas, em 2002, para
um milhão e trezentas mil em 2012.

Na região noroeste, observamos um
dos exemplos de sucesso na fruticultura capixaba. A força empreendedora dos
produtores, com o apoio de entidades do setor, tornou a
manga ubá, que sobrava no quintal das
propriedades rurais, um grande negócio para os agricultores familiares. O
potencial da fruta cresceu após o início do processamento na indústria de polpa
de frutas Trop Brasil, sediada em Linhares. De acordo com o técnico do
Instituto Capixaba de pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper),
Cesar Teixeira, um dos coordenadores comitê do Polo de Manga do Estado, o
trabalho integrado da cadeia produtiva resultou em uma nova oportunidade para
as famílias rurais. “São 17 municípios envolvidos no Polo, todos com seus
representantes de entidades rurais no comitê. Esse é o diferencial, a
organização baseada na cooperação entre os diversos atores do processo”, destaca
Teixeira.


Antes sobrando nos quintais das casas, agora manga ubá virou negócio para produtores


Nesta safra de 2012, que começou a ser
colhida em novembro a tendência é que a colheita siga até final de janeiro e
início de fevereiro. Segundo o técnico do Incaper, o grande desafio do setor da
manga é aumentar a produtividade. “Das variedades de manga que conhecemos, a
ubá é a menos estudada. Junto com os produtores, precisamos utilizar
tecnologias para diminuir a alternância fisiológica da planta e evitar a
variação de safras em cada ano”, diz Teixeira. E a demanda pela fruta é crescente
no Estado.
A Trop Brasil, indústria de polpa de frutas
sediada em Linhares, tem um potencial para processamento da fruta que ainda não
é atendido pelos produtores capixabas.
Em geral, a empresa,
adquirida pela SABB Coca Cola recentemente, possui capacidade para processar
até 25 mil toneladas de frutas por ano, o que representa a produção média de 11
mil toneladas de polpa no mesmo período e mantém 140 postos de trabalho.

Um
dos grandes incentivadores deste projeto da manga é o Serviço Brasileiro de
Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Com a metodologia de gestão e
acompanhamento das ações implantadas no Polo, a entidade se tornou um aliado
essencial para os agricultores locais. De acordo com o analista e gestor de
fruticultura do Sebrae no Espírito Santo, Márcio Rosalem, o órgão atua nas
capacitações dos envolvidos no Polo. “Todas as atividade voltadas a gestão da
atividade rural nós estamos trabalhando com o produtor e participando
ativamente das reuniões do comitê gestor para acompanhar a aplicação das
metodologias implantadas”, diz.

Na
região norte do Estado, o município de Jaguaré se destaca pelo cultivo do café,
sendo um dos maiores produtores do Brasil. Porém, a diversificação agrícola
cresce nas propriedades e os produtores investem na cultura do maracujá. A
organização dos produtores na Cooperativa dos Produtores Rurais de Jaguaré
(Coopruj) possibilita melhores resultados no campo, como na hora de negociar a
venda da fruta. “Hoje a produção no campo é muito difícil, devido a clima,
doenças, mão de obra. Então, estamos trabalhando dessa forma planejada e
organizada para levar uma fruta com segurança para o consumidor”, diz Fábio
Fiorot, presidente da Coopruj.


Na Coopruj, em Jaguaré, Fábio trabalha pelo planejamento da safra de maracujá


Para manter o ritmo de crescimento com planejamento de área
plantada e diminuir as oscilações do mercado, a cooperativa está realizando um
estudo com apoio do Sebrae, com diz Fábio Fiorot. “A gente trabalha em cima de
um erro que foi cometido lá atrás. Hoje nós temos o controle de toda área
plantada e a gente orienta o produtor a plantar baseado em um planejamento de
safra”, destaca Fiorot.

Para o gestor de fruticultura do Sebrae, o diagnóstico iniciado na
cadeia produtiva do maracujá em 2011 possibilitou projetar melhores resultados
para os produtores. “Nesse trabalho foi possível levantar os pontos da cadeia
produtiva de dentro e fora da porteira. Todo setor foi mapeado e divulgado
entre os produtores para fortalecer o Polo do Maracujá”, afirma Rosalem. Outro
aliado no processo é a indústria que, nesse caso, tem contrato com a
cooperativa e garante a comercialização da fruta cultivada. Com organização e
planejamento, os produtores rurais conseguem mais segurança e melhores
negociações com fornecedores e compradores. “A forma de trabalhar é simples. A
gente canaliza toda comunicação com os produtores, como negociação e discussão
de preços, através da diretoria das cooperativas”, explica Marcos Leonardo Miranda,
gerente da Trop Brasil.


Mauro
Ribeiro, da SABB Coca Cola: Produtor capixaba tem integração com a indústria e
maturidade nas negociações


Os resultados alcançados até agora parecem estar apenas começando.
O consumo de frutas está em ascensão em todo mundo, como no Brasil e nos
Estados Unidos. Em território brasileiro, o consumo médio é de 57 quilos por
ano, enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde é de 100 quilos
por ano por cada habitante. “Vemos no
Espírito Santo um
importante centro produtivo, com enorme potencial e oportunidades e com um
público sério, batalhador e que deseja ver o desenvolvimento ocorrer.
Encontramos no produtor capixaba uma integração muito grande com a indústria e
uma maturidade muito grande nas tratativas e negociações do mercado. São várias
as oportunidades e todas elas convergem para uma produção cada vez maior e de
melhor qualidade”, afirma Mauro Ribeiro, Diretor de Relações Institucionais da
SABB.

 

 

 

Franco
Fiorot




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