A virada de ano se aproxima. Para os mais
supersticiosos, a uva é símbolo de boa sorte para o ano que vai chegar. Mas
para o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural
(Incaper), a fruta deve ser sinônimo de prosperidade o ano todo. Por isso, o
Incaper estimula o plantio de uva e o manejo adequado das parreiras até mesmo
em regiões que tradicionalmente não a cultivavam.
A iniciativa está dando os primeiros resultados. Quando foi designado para
trabalhar no Escritório Local de Desenvolvimento Rural do Incaper em Iconha, o
engenheiro agrônomo Leandro Hespanhol deparou-se com um desafio. Ele observou
que alguns produtores rurais da região haviam adquirido mudas de uva da
variedade Niágara Rosada e realizado o plantio de pequenas áreas. Porém, não
sabiam como conduzir a lavoura de maneira adequada. “Não tínhamos como precisar
nem a origem das mudas. Os produtores plantaram uva, mas ficaram sem saber o
que fazer como agir. As lavouras não receberam o trato adequado”, contou.
Com doutorado em viticultura, Leandro desenvolveu a prática na propriedade da
família, no estado do Rio de Janeiro. Lá, observou que era possível garantir
boa produtividade mesmo em regiões mais quentes e úmidas. E trouxe sua
experiência para o Espírito Santo. Trabalhou na recuperação das lavouras junto
aos produtores de Iconha e Piúma, e espera obter uma produtividade de seis
toneladas por hectare. “A variedade Niágara Rosada é rústica, resistente a
pragas e doenças. Se adaptou bem às condições ambientais da região de Iconha. A
produção inicial é baixa, porque a lavoura ainda está em implantação”,
ponderou. Porém, é possível alcançar produtividades em torno de 40 toneladas
por hectare a partir do quinto ano.
A assistência técnica prestada aos produtores de uva de Iconha e Piúma permite
colheita de uva até duas vezes por ano. “O clima quente tem suas vantagens. A
videira não entra em período de dormência, e pode produzir até duas safras por
ano. Além disso, a região permite que seja feita poda em qualquer época. Assim,
o produtor pode se programar, em função do mercado, para conseguir obter os
melhores preços. Estas características apontam a videira como mais uma
alternativa viável de obtenção de renda para o produtor”, explicou Hespanhol.
A comercialização da safra deste ano fica a
critério do produtor. “Ele pode vender na propriedade mesmo, num esquema ‘colha
e pague’. É uma forma de estimular o agroturismo”, disse Leandro. Quando se
trata de uva de mesa, a variedade Niágara Rosada é uma das mais consumidas no
Brasil. O próximo desafio é adaptar tecnologias de baixo custo para evitar o
ataque de pássaros, abelhas e marimbondos. “Como a área é pequena, orientamos
que os produtores ensacassem a produção. Em áreas grandes, pode-se cobrir as
parreiras com uma tela plástica conhecida como clarite”, orientou.
Assim, o Incaper ajuda a garantir a qualidade das
uvas produzidas em regiões que não tinham tanta tradição no cultivo de
videiras. E faz com que a produção agrícola esteja presente na mesa dos
capixabas durante o ano todo.
Juliana Esteves
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