O terreno
total necessário para o cultivo agrícola em todo o mundo está em seu auge e uma
área com mais de duas vezes o tamanho da França pode voltar a ser não-cultivada
em 2060 devido a uma maior produtividade e ao crescimento mais lento da
população, disse um grupo de especialistas nesta segunda-feira (17).
O relatório entra em conflito com estudos da ONU que afirmam que mais terras
cultiváveis serão necessárias nas próximas décadas a fim de evitar picos de
fome e de preços por conta do aumento da população mundial para mais de 7
bilhões de pessoas, e afirma que a humanidade alcançou o que chamou de
“auge do cultivo”.
Mais lavouras utilizadas para a produção de biocombustíveis e uma mudança no
padrão de consumo de carnes em economias emergentes como a China ou a Índia
–exigindo mais terras cultiváveis para alimentar o gado– não compensariam uma
queda no volume de terras cultivadas, que seria causada por melhoras na
produtividade, calculou.
Se comprovada a teoria, a terra que deixaria de ser cultivada seria equivalente
a cerca de 10 por cento do volume atualmente em uso — ou 2,5 vezes da área total
da França, ou superior ao volume total de terra arável cultivada atualmente na
China.
“Nós acreditamos que a humanidade atingiu o auge do volume em terras
cultiváveis, e que uma grande restauração dos terrenos à natureza está prestes
a acontecer”, disse Jesse Ausubel, diretor do Programa para o Meio
Ambiente Humano, da Rockefeller University, em Nova York.
“Felizmente, a causa não é a exaustão da terra arável, como muitos temiam,
e sim a moderação da população, gostos, e ingenuidade dos agricultores”,
disse Ausubel durante discurso sobre o estudo que liderou no jornal Population
and Development Review.
O relatório, fornecido à Reuters pelo diretor, projeta que cerca de 150 milhões
de hectares (370 milhões de acres) podem ser restaurados a suas condições
originais como florestas em 2060. Isso também equivale a 1,5 vezes a área do
Egito ou 10 vezes o tamanho de Iowa.
Segundo o relatório, as terras aráveis além das áreas de culturas permanentes
no mundo subiram de 1,37 bilhão de hectares (3,38 bilhões de acres) em 1961
para 1,53 bilhão (3,78 bilhões de acres) em 2009. O estudo também projeta uma
queda para 1,38 bilhões de hectares (3,410 bilhões de acres) em 2060.
Reuters
Comente esta notícia. Clique aqui e mande sua opinião.
(É
necessário colocar nome completo, e-mail e o título da notícia comentada. Todos
os comentários enviados serão avaliados previamente. O portal Campo Vivo não
publicará comentários que não sejam referentes ao assunto da notícia, como de
teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem direito de terceiros,
etc.)
Siga o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo
O Campo Vivo também está no Facebook

