Brasil e Iraque discutem acordo sanitário

por admin_ideale

Tratado deve facilitar as exportações de frango e
carne. Este foi um dos temas de reunião da Comissão Mista Bilateral ocorrida em
Bagdá. País árabe quer investir US$ 120 bi em infraestrutura. A Comissão Mista
Brasil-Iraque se reuniu no domingo e nesta segunda-feira (17), em Bagdá, para
debater temas de interesse bilateral. Do lado brasileiro, uma das demandas é
assinatura de um acordo sanitário para facilitar as exportações de frango e
carne bovina ao país árabe.


O diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que
participou do encontro, disse que ficou acertada a vinda de técnicos do governo
iraquiano ao Brasil para visitar frigoríficos e associações do ramo com o
objetivo de verificar o controle sanitário existente no País, criando as bases para
o acordo.

Hoje as autoridades iraquianas exigem certificado de conformidade emitido por
entidade certificadora após análise da carga, o que gera custos e aumenta o
tempo de entrega das mercadorias. O trâmite chega a onerar os embarques em US$
5 mil por contêiner, segundo Alaby. “O importador paga por isso”,
afirmou.


A visita dos técnicos deverá ocorrer até o final de fevereiro do próximo ano.

Quando o acordo for assinado, o que ainda não tem
data para ocorrer, não haverá mais necessidade dos certificados. Até lá, porém,
a exigência será mantida.


O frango e a carne bovina são, respectivamente, o primeiro e o terceiro item da
pauta de exportações brasileiras ao Iraque. De janeiro a novembro, a receita
com as vendas de frangos somaram US$ 161 milhões, 18,4% a menos do que no mesmo
período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC).


Os embarques de carne bovina, porém, subiram 40,34% para US$ 20,6 milhões na
mesma comparação. No total, as exportações brasileiras ao Iraque renderam US$
256 milhões de janeiro a novembro, uma queda de 29%.


Do lado iraquiano, um dos temas de interesse é a renegociação da dívida que o
país tem com o Brasil, o que pode influenciar positivamente o fluxo de
comércio, especialmente no que diz respeito aos financiamentos.


Investimentos

A delegação do Iraque foi liderada pelo vice-ministro das Relações Exteriores,
Labeed Abbawa. Segundo Alaby, ele informou que o país pretende investir US$ 120
bilhões em infraestrutura e construção até 2020 e que há oportunidades de
fornecimento de material de construção, serviços de engenharia, material de
transporte, alimentos, entre outras mercadorias e serviços.


O vice-ministro acrescentou que o Iraque espera aplicar US$ 20 bilhões em
geração e distribuição de energia elétrica até 2014, pois é comum a falta de
luz.


Para reforçar o diálogo na área de negócios, a delegação brasileira visitou o
Conselho dos Empresários Iraquianos, entidade que reúne 180 sócios que atuam
nas áreas de comércio, investimentos e empreitada. De acordo com Alaby, ficou
acertada com o presidente da instituição, Ibraheen Al-Baghdadi, a visita de
membros ao Brasil em 2013 para encontros empresariais.


Alaby acrescentou que combinou com o presidente da Federação das Câmaras de
Comércio e Indústria do país árabe, Abdul Salam Al-Qaysi, a assinatura de um
acordo de troca de informações e de incentivo aos negócios bilaterais.


Os brasileiros se encontraram ainda com o ministro do Comércio, Kheirallah
Hassan, que disse que gostaria de ver os negócios bilaterais voltarem ao nível
que já tiveram na década de 1980; e com o vice-ministro da Indústria, Abdel
Kareen, que afirmou que seu país precisa comprar máquinas, equipamentos e
geradores de energia.

Na Comissão Mista, segundo Alaby, foram também discutidas as negociações de
acordos para estabelecer consultas bilaterais econômicas e políticas, de
cooperação em esportes, de cooperação econômica e financeira, a possibilidade
de lançar tratativas para um acordo de livre comércio entre o Iraque e o
Mercosul, o oferecimento pelo Brasil de treinamento para funcionários
iraquianos em áreas como metrologia, assuntos sanitários e fitossanitários e
negociações internacionais, a reativação da Comissão Parlamentar Brasil-Iraque,
além da troca de informações sobre programas de combate à pobreza.


A reunião contou com 11 representantes do lado brasileiro e 27 da parte
iraquiana, entre eles o subsecretário-geral do Itamaraty para Oriente Médio e
África, Paulo Cordeiro, o embaixador do Brasil em Bagdá, Anuar Nahes, e o
embaixador do Iraque em Brasília, Baker Fattah Hussen.

 

Alexandre
Rocha


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