Desde que o Brasil anunciou o registro de um caso
atípico de mal da vaca louca no início do mês, cinco importadores de carne
bovina brasileira anunciaram embargos totais ou parciais ao produto do país,
gerando preocupações sobre os impactos para as vendas externas do maior exportador
global.
A Arábia Saudita se juntou nesta terça-feira aos países que anunciaram
suspensão à carne do Brasil, segundo o Ministério da Agricultura. Na semana
passada, Japão, China, África do Sul e Egito haviam suspendido as compras. O
Egito anunciou um embargo parcial.
A suspensão ocorre por conta de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme
Bovina (EEB), doença conhecida como mal da vaca louca. Os embargos ocorrem
apesar de o governo brasileiro afirmar que o país não teve registro da doença
em sua forma clássica.
Em 7 de dezembro, a Organização Mundial de Saúde
Animal (OIE) manteve a classificação do Brasil como país de risco
“insignificante” para a EEB, confirmando que o Brasil é livre da
doença.
“Esta classificação tem sido seguida por importantes países e blocos
consumidores”, afirmou o frigorífico Minerva nesta terça-feira em nota ao
mercado, esclarecendo que as vendas para a Arábia Saudita representaram
aproximadamente 2,5 por cento do faturamento bruto da companhia no acumulado do
ano.
Na segunda-feira, o Egito informou a suspensão das compras de carne do Paraná,
onde o caso não clássico da doença foi registrado em 2010 em uma vaca.
O Egito, diferentemente de Japão, África do Sul e China, é um grande
importador, aparecendo entre os cinco maiores. Mas como a restrição egípcia
vale apenas para carne paranaense, a medida deve limitar os impactos sobre as
vendas do produto brasileiro neste caso.
De janeiro a outubro, a Arábia Saudita importou 31,3 mil toneladas de carne do
Brasil, de um total exportado pelo país de 1,02 milhão de toneladas. Em
receita, as compras sauditas representaram 143,5 milhões de dólares.
“É um volume que a gente pode dizer ainda pouco expressivo, mas faz
fronteira com países que são muito importantes como Irã, Egito, então talvez
possa estar criando esse efeito cascata, dominó”, disse o analista da Scot
Alex Lopes da Silva, ao comentar o embargo saudita.
PARANÁ
Uma vaca de 13 anos mantida para fins de procriação morreu no Paraná de outras
causas em 2010 e nunca desenvolveu a doença. Mas um teste realizado no animal
acusou um resultado positivo para o agente causador da doença, uma proteína
chamada príon, que pode ocorrer espontaneamente em bovinos mais velhos.
Nesta condição, os animais são classificados como
tendo “EEB atípica”.
No caso do embargo egípcio, o Minerva, terceiro exportador de carne bovina do
Brasil, avalia que a decisão não afeta os negócios da empresa.
“A Minerva não possui planta no Estado no Paraná e, portanto, não é
impactada pela medida adotada pelo governo egípcio”, disse a companhia.
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