O aumento
médio de 219,21% no quilo do tomate nos supermercados de Pelotas em novembro
chegou a surpreender até mesmo os vendedores, conforme contou a supervisora de
Educação ao Consumidor do Procon local, economista doméstica.
Encarregada de realizar a pesquisa de preços da cesta básica e da ração
essencial e o comparativo entre eles, Nóris ouviu comentários de que o custo do
produto tinha aumentado de menos de R$ 2,00 para até R$ 5,50 em dois dias. Na
média obtida pela economista doméstica, o quilo do tomate custava na
sexta-feira, dia da pesquisa, R$ 4,50. Em novembro, a cesta básica de 51
produtos teve reajuste médio de 1,23% e a ração essencial de 13 itens, 2,17%.
Histórico
Em setembro, o tomate teve a maior queda de preços na pesquisa do Procon, de
51,17%, o que voltou a ocorrer em outubro, de 51,91%, depois um aumento
anterior que elevou o quilo para até R$ 8,00. Rico em vitamina C e licopeno,
tem propriedades antioxidantes, importante no combate aos radicais livres, e é
recomendado na prevenção do câncer de próstata, explica a nutricionista Karina
Linhares. Frutas ricas em vitamina C e de cor vermelha podem ser substitutas
para o tomate nessas duas indicações. A professora Marédima Amaral, moradora no
Jardim das Tradições, sabe de todas essas propriedades do tomate, mas confessa
que troca o produto por vegetais e legumes. “Mudo o cardápio”, diz a
consumidora, que prefere utilizar o tomate nas saladas.
Marédima avalia que o produto encontrado em alguns estabelecimentos pode ser
mais barato, mas não tem qualidade. Para o comerciante Vagner Dutra, que é
engenheiro agrônomo e conhece todas as propriedades do tomate, o preço elevado
foi um dos fatores que fizeram que não comprasse o produto ontem para oferecer
aos clientes. “Eu sabia que estava alto. Preferi deixar para amanhã. Pode ser
que baixe”, explica, mostrando os menos dois quilos que tinha para vender à
tarde, com o preço de R$ 4,50 o quilo. Também comerciante, Hugo Weimar, vendia
o tomate do tipo longa vida, o mais encontrado nessa época do ano, também por
R$ 4,50 na tarde de ontem, mas contou que pela manhã esse preço era de R$ 6,00.
“Veio um
novo mais barato”, justificou.
Avaliação
“Esse mês loqueou”, avaliou a economista doméstica do Procon, que acredita nos
fatores climáticos como principais causadores dessa elevação sem precedentes
para o produto. Dos 51 produtos da cesta básica, apenas seis permaneceram com
preços estáveis: o café, a linguiça fresca embalada, a margarina, o sabonete, o
cigarro e o gás de cozinha. Na cesta básica, para atender a quatro pessoas, o
custo médio total encontrado pelo Procon foi de R$ 532,46, enquanto na ração
essencial, que deve suprir as necessidades de apenas uma pessoa, ele chegou a
R$ 243,62. Na primeira, o consumidor teve que arcar com um gasto de mais R$
6,46 e com o segundo, de R$ 5,17. Segundo Nóris, a recomendação aos
consumidores é sempre a mesma: pesquise os preços, porque a variação é muito
grande de um para outro estabelecimento.
Principais variações
Aumentos
Tomate – 219,21%
Presunto magro fatiado – 30,46%
Massa de tomate – 20,67%
Laranja – 15,86%
Farinha de trigo – 9,34%
Quedas
Cebola – 24,85%
Repolho – 18,32%
Óleo de soja – 6,93%
Cenoura – 6,33%
Feijão preto – 5,88 %
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