Dia do Extensionista

por admin_ideale

No dia 06 de dezembro é comemorado o Dia do
Extensionista, profissional de grande relevância para a agricultura. Atuando
como educador e animador de processos que culminam no desenvolvimento rural
sustentável, o extensionista contribuiu para a melhoria da qualidade de vida
das famílias que vivem no campo. Nesta data, o Instituto Capixaba de Pesquisa,
Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) aborda a importância desse
profissional e aponta os desafios para essa área de atuação.

De acordo com o chefe do escritório local de
Iconha, Fábio Dalbom, o extensionista tem o papel de identificar o potencial
dos agricultores de base familiar e diagnosticar, de maneira participativa, os
desafios que eles possuem nos aspectos produtivos, sociais e ambientais. “O extensionista
deve partir do pressuposto de que o desenvolvimento de uma comunidade é um
processo de diálogo, uma construção conjunta. Para isso, o profissional precisa
ter comprometimento com o grupo assistido, presença contínua e duradoura no
local e uma abertura para compreender todos os âmbitos que envolvem a
sustentabilidade no campo”, afirma Fábio.

Ele também destaca que, cada vez mais, o trabalho
do extensionista precisa ser feito por meio de equipes multidisciplinares. “É
preciso observar a especificidade de cada área e articulá-la sob uma ótica
global. Atualmente, a realidade do meio rural é muito diversa, pois além da
produção, existem atividades artesanais, a agroindústria, o agroturismo, que
exigem a atuação de profissionais de várias áreas de conhecimento”, comenta
Fábio, que é formado em Ciências Sociais.

Articular os conhecimentos científicos dispersos e
torná-los acessíveis aos agricultores familiares é outro papel importante
desenvolvido pelo extensionista. “Os conhecimentos estão acumulados em vários
locais, como nas universidades, nos centros de pesquisas e nos saberes das
próprias comunidades. Temos o papel de ler a realidade do agricultor e analisar
o que mais se adequa ao seu contexto”, aponta o extensionista e engenheiro
Agrônomo do Incaper, Edegar Formentini. Ele também destaca o papel do
extensionista no incentivo à organização coletiva dos agricultores, como em
associações e grupos produtivos.

Desafios

Embora a importância desse profissional seja bastante evidente para o
desenvolvimento do meio rural, ainda existem muitos desafios para quem atua na
área de extensão. Um deles é avançar na implementação de um modelo sustentável.
“Desde a ECO-92, a sustentabilidade passou a ser o novo marco a ser seguido
pelas instituições e ainda é um desafio para o extensionista avançar sob essa
perspectiva junto aos agricultores ”, avalia a técnica em agropecuária e
extensionista do Incaper de Linhares, Renata Setúbal.

Ela aponta que os aspectos sociais e ambientais não
podem estar dissociados da produção. “Garantir a segurança alimentar, por meio
de alimentos saudáveis, e preservar nascentes para garantir acesso à água pela
população são exemplos de como os aspectos da sustentabilidade devem orientar a
ação do extensionista. Para alcançar esse objetivo, o agricultor precisa estar
envolvido com a proposta, o que reforça a perspectiva de uma extensão como
processo de diálogo com as famílias assistidas”, frisa Renata.

Para Edegar Formentini, o incentivo à extensão
rural tem crescido nos últimos anos, sobretudo a partir da criação da Política
Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), pelo Governo
Federal, em 2003. Paralelamente, tem sido criados programas destinados à
agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o
Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). “A conjuntura é propícia para
que o extensionista fortaleça sua atuação, trabalhando para que os agricultores
familiares acessem as políticas públicas que têm sido implementadas”, afirma
Edegar.

Valorização

A importância do trabalho do extensionista pode ser confirmada a partir da
renda média do agricultor familiar. De acordo com o último Censo Agropecuário
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os agricultores
familiares que não recebiam assistência técnica e extensão rural tinham renda
mensal média de R$ 700,00, os que recebiam assistência esporadicamente, tinham
renda duas vezes maior, e os que tinham assistência com frequência, tinham
renda de R$ 2.139,00.

“No Incaper existem 255 extensionistas de várias
formações profissionais, tanto de nível médio como superior, e são esses
profissionais que respeitam os conhecimentos e saberes dos agricultores, sua
experiência de vida e sua realidade cultural. Eles trabalham empenhados em
facilitar o acesso dos produtores às políticas públicas disponíveis de modo a
usufruir dos direitos sociais, do acesso a bens econômicos e culturais”, aponta
o diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo.

“Essa é uma data comemorativa que reconhece o valor
desse profissional que atua diariamente ao lado dos produtores e agricultores
familiares, ajudando-os na construção de um Espírito Santo social e
economicamente justo, produtivo e sustentável. Parabéns a todos os nossos
extensionistas”, conclui Evair.

 Luciana Silvestre / Eduardo Brinco


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