Carne tem de passar de commoditie a produto diferenciado, diz pesquisador

por admin_ideale

A carne bovina brasileira tem de passar de uma commoditie para um produto
diferenciado, com alto valor agregado. Esse é o grande desafio da atividade
para os próximos anos. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (26) durante o
1º Seminário sobre Potencialidades de Agregação de Valor na Cadeia Produtiva da
Pecuária de Corte no Mato Grosso do Sul (Origem 2012), pelo pesquisador da
Embrapa Gado de Corte, Guilherme Malafaia.

Malafaia disse, com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos (USDA) e da Scot Consultoria, que nos últimos dois anos o Brasil foi o
grande exportador de carne bovina no mundo e que apesar de ser um dos
principais “players” desse mercado, o total vendido para o
exterior em 2010, por exemplo, 1,5 milhão de toneladas, representou apenas
16,5% do total produzido pelo país, que chegou a 9,1 milhões de toneladas. A
maior parte dessa carne, 7,6 milhões de toneladas (83,5%) foi destinada ao
mercado interno.

Ele lembrou que todas as projeções indicam para um aumento da demanda mundial
por carne nos próximos anos em decorrência do crescimento demográfico, aumento
da renda e urbanização, mas que o consumidor está mais exigente em relação a
qualidade do produto e mais disposto a pagar por produtos diferenciados, desde
que tenham sido produzidos de maneira sustentável. Neste contexto, o
pesquisador ressalta que a pecuária brasileira tem de ser vista sob a ótica da
agregação de valor, em um processo que envolva toda a cadeia produtiva.

Neste processo, Malafaia ressaltou que a pecuária brasileira tem alguns
desafios a serem superados como a reforma no ambiente institucional,
investimentos em inovação e tecnologia, em diversificação, em responsabilidade
social e ambiental, na produção orgânica, em mecanismos que atestem a origem
dos produtos e na gestão estratégica do setor, entre outros.

Por fim, Malafaia citou o caso da Cota Hilton como um exemplo de como a
pecuária brasileira ao deixar de agregar valor aos seus produtos sofre prejuízos.
A cota é um programa de exportações de cortes nobres para a União Europeia. A
brasileira é de 10 mil toneladas por ano cota, mas no ano cota 2009/2010 o País
vendeu para o bloco somente 800 toneladas (8% do que poderia) e depois esse
volume no ano cota 2010/2011 caiu para 400 toneladas (4%). “Isso fez com
que o Brasil deixasse de ganhar neste período US$ 82 milhões)”, concluiu.

Para impedir que situações como a da Cota Hilton se repitam, o pesquisador
ressalta que a pecuária nacional tem de se diferenciar e diversificar. Entre as
medidas para diversificar estão a criação de marcas de qualidade para seus
produtos e a produção de novos cortes voltados para atender determinados nichos
de mercado.

 

 

Anderson
Viegas / Agrodebate


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