O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência
Técnica e Extensão Rural (Incaper) participou da 24ª Conferência Internacional
da Ciência do Café (Asic), o maior evento mundial da ciência do café, realizado
em San Jose, na Costa Rica, entre os dias 11 e 16 deste mês. Representantes de
38 países estiveram no evento, agregando conhecimento que pode ser aplicado na
cafeicultura capixaba, dentre eles, os pesquisadores Romário Gava Ferrão, José
Antônio Lani e Luiz Carlos Prezotti, do Incaper.
Na conferência, foram tratados diversos temas
relacionados a toda cadeia cafeeira. O principal eixo do evento estava focado
na sustentabilidade e todos os outros assuntos relacionados à produção,
qualidade, indústria, eram abordados enfatizando esse aspecto. Um tema
recorrente que chamou atenção dos pesquisadores do Incaper foram as pesquisas
na área de saúde. O consumo do café está sendo associado ao tratamento e
prevenção de diversas doenças, o que demonstra a importância do grão não apenas
restrita à área agronômica, envolvendo estudos na saúde e em biotecnologia.
O pesquisador Romário Gava Ferrão contou sua percepção de que o mundo está
apreciando cada vez mais o robusta. Com a ampla discussão sobre aquecimento
global e a iminência de mudanças climáticas, o café conilon, por ser uma
variedade mais rústica e com maior potencial de produção, pode ter um aumento
do consumo mundial. “Esse interesse por tecnologia do café conilon beneficia o
Espírito Santo que é o segundo maior produtor do mundo. Além de consolidar o
trabalho do Incaper que está na vanguarda tecnológica das diferentes ciências
do café conilon”, destaca o pesquisador.
Mais do que um intercâmbio de informações sobre a
ciência do café, a equipe do Incaper visitou propriedades de produtores para
aprender sobre as técnicas de sombreamento, característica da cafeicultura considerada
a mais sustentável do mundo, desenvolvida na Costa Rica. “O sombreamento é uma
técnica que ainda não utilizamos no Brasil. Contudo, é interessante conhecê-la,
pois é uma alternativa para o cultivo que minimiza os efeitos da exposição ao
sol e que futuramente podemos aplicar no Espírito Santo”, comentou Romário.
O conilon capixaba também estava presente no Centro
Agronómico Tropical de Investigación y Enseñanza (Catie), em que se encontra um
dos maiores bancos de germoplasma de café do mundo, com 1800 acessos. Em visita
ao Centro, os pesquisadores conferiram o conilon com um excelente
desenvolvimento, o que mostra a sua facilidade de adaptação em diferentes
localidades.
Mariana
Bergamini
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