Políticas públicas representam alicerce para recuperar competitividade do etanol

por admin_ideale

A retomada
da expansão da produção de etanol no Brasil depende fundamentalmente da
definição de metas e políticas públicas que permitam a recuperação da
competitividade do setor sucroenergético. Sem regras claras e de longo prazo,
dificilmente haverá apetite do setor privado para realizar investimentos quem
amplie, de forma sustentada, a oferta do biocombustível. A posição foi
reiterada pelo diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar
(UNICA), Eduardo Leão de Sousa, durante participação no 17º Clube da Cana, evento
anual promovido pela multinacional americana FMC. A edição deste ano foi
realizada na sexta-feira (02/11) no Hotel Sofitel Jequitimar, na cidade do
Guarujá (SP).

Segundo
Sousa, até o final desta década o setor tem o desafio de dobrar a produção de
cana para atender à crescente demanda doméstica e internacional por etanol e
açúcar. “Nos últimos cinco anos, houve uma drástica perda de competitividade do
etanol frente à gasolina, cujos preços vem sendo administrados segundo
critérios que não refletem as condições de mercado. O governo vem mantendo o
preço congelado por todo este período, gerando um desequilíbrio no mercado de
etanol, cujos custos de produção aumentaram mais de 50% no período, sem
possibilidade de qualquer repasse de preço ao mercado,” ressaltou.

 

Souza
explicou que existe um déficit de seis bilhões de litros na oferta de
combustíveis no Brasil, sem a perspectiva de investimentos em novas plantas
industriais para produção de etanol no curto prazo. “Somente uma sinalização do
governo poderá reverter esta situação,” avaliou.

Em sua apresentação, o diretor da UNICA expôs algumas propostas defendidas em
prol da recuperação do setor sucroenergético, como a necessidade de redução da
elevada carga tributária incidente sobre o biocombustível. “Enquanto a
tributação sobre a gasolina vem caindo desde 2002, a taxação média sobre o
etanol permaneceu inalterada em 31%. Este cenário acaba inviabilizando o
produto em quase todo o País, exceção feita a São Paulo, onde o Imposto de
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre o etanol é metade do
recolhido na maioria dos outros estados,” explicou Sousa.

O executivo,
que integrou um debate coordenado pelo ex-ministro da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues, e que também teve a presença do
presidente da Organização dos Plantadores de Cana-de-Açúcar da Região
Centro-Sul (Orplana), Ismael Perina, destacou ainda a importância de um
planejamento estratégico da matriz de transportes, associado a metas de
participação do etanol na matriz e a políticas públicas que estimulem
adequadamente os novos investimentos.


Novas tecnologias


No evento, que reuniu diretores e técnicos de
usinas e de fornecedores de cana, empresários e especialistas da cadeia
produtiva da cana, como o ex-presidente da UNICA, Marcos Jank, outro debate que
gerou interesse foi o desenvolvimento de novas tecnologias do setor,
fundamentais para o aumento da produtividade e a diversificação da produção
canavieira.

Entre as novidades tecnológicas discutidas no encontro, destacam-se as novas
variedades de cana, mais resistentes a pragas e condições climáticas adversas,
os bioplásticos, que fabricados a partir do etanol emitem menos gases de efeito
estufa (GEEs) com as mesmas qualidades técnicas encontradas no produto
fabricado diretamente do petróleo, e o etanol celulósico, mais conhecido como
biocombustível de segunda geração. Com este novo produto, será possível elevar
significativamente a capacidade de produção nas usinas, pois haverá o total
aproveitamento da palha e do bagaço da cana, que serão convertidos em etanol.

Organizado
pela FMC desde 1995, o Clube da Cana é um dos fóruns de maior importância para
o setor sucroenergético. A edição deste ano reuniu cerca de 500 participantes
representando mais de 100 usinas brasileiras. Na opinião do presidente da FMC
Corporation América Latina, Antônio Carlos Zem, o encontro foi uma ótima
oportunidade para debater o mercado sucroenérgetico e seu crescimento com
participantes da cadeia produtiva.

“Realizamos
esse tradicional evento para adquirirmos e também levarmos aos produtores novos
conhecimentos e as tendências do mercado com os principais especialistas, pois
nosso objetivo é aproximar e inovar na prestação de serviços, servir nossos
clientes no longo prazo e lançar novas tecnologias que tragam conveniência e
produtividade,” afirmou.

A FMC é hoje
uma das empresas mais atuam no setor sucroenergético nacional. Além de fornecer
produtos para as áreas agrícola e industrial, mantém parcerias com empresas e
entidades do segmento. Uma delas é o Projeto Renovação, programa modelo de
requalificação de trabalhadores que atuam no plantio e no cultivo da
cana-de-açúcar. Em dois anos e meio, a iniciativa, que é coordenada pela UNICA
e pela Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo
(Feraesp), já requalificou mais de 4,5 mil cortadores de cana, além de servir
de molde para a formação de outros 16 mil trabalhadores em programas
semelhantes conduzidas por 84 usinas.

A FMC também
participa, juntamente com outras quatro empresas e dez entidades, do Projeto
AGORA iniciativa de marketing e comunicação integrada que reune a cadeia produtiva
da cana-de-açúcar. O projeto foi reconhecido como o principal projeto de
comunicação empresarial do Brasil em 2011 pela Aberje, a Associação Brasileira
de Comunicação Empresarial.

 

Unica

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