As contratações do crédito rural para o Programa
Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) totalizam R$ 600,6 milhões entre
julho e setembro deste ano. Os números mostram que os financiamentos
representam 17,7% dos R$ 3,4 bilhões autorizados ao programa para a safra
2012/13. No total, a agricultura empresarial somou R$ 26,5 bilhões nos meses de
julho a setembro deste ano e superou em 14,7% o volume contratado em igual
período no ano passado, que foi de R$ 23,1 bilhões. Os dados foram divulgados
pelo Departamento de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa), nesta terça-feira, dia 06 novembro. O desembolso
representa 23% do montante de R$ 115,2 bilhões programados para o ano-safra
2012/2013.
A região Sudeste é a que mais buscou crédito do
Programa ABC para financiar as lavouras. Com juros mais baratos, os
agricultores tomaram R$ 8,4 milhões. O destaque do Sudeste é o estado de Minas
Gerais que no período contratou R$ 10,2 milhões. Na sequência das regiões, o
Centro-Oeste e o Sul ocupam, respectivamente, a segunda e terceira colocação no
ranking brasileiro de tomadores deste empréstimo. Nessas regiões, os estados
que mais se destacaram na busca pelo financiamento foram o Mato Grosso do Sul,
com R$ 3,7 milhões, e o Rio Grande do Sul, com R$ 2,4 milhões. O fortalecimento
do ABC para melhor atender o seu objetivo, entre os quais a recuperação de
pastagens degradadas, veio por meio de mais recursos e da redução da taxa de
juros que passou de 5,5% para 5% ao ano.
Atento a essas condições facilitadas, o produtor
Luiz Carlos Teixeira, 52 anos, desenvolveu o projeto com o apoio da Emater
mineira para plantar eucaliptos e fazer a recuperação de pastagens em 43
hectares de uma propriedade localizada no município de Curvilo, no centro-norte
de Minas Gerais. Teixeira conta que a área onde ocorrerá o plantio é um terreno
degradado, onde foi feito o desmatamento para brotar pastagem para o gado. “Com
o plantio de eucalipto e de pastagem vamos recuperar a área e isso graças aos
recursos que virão da linha de financiamento do Programa ABC”, disse.
Além de enxergar o fator econômico no plantio de
florestas, como forma de diversificar sua produção baseada na plantação de
cana-de-açúcar, na produção de leite e gado de corte,Teixeira defende a prática
como forma de diminuir a pressão pelo desmatamento da região. Os R$ 192 mil,
com três anos de carência, serão aplicados na produção sustentável, assim,
segundo ele, se protege aquelas áreas que ainda não foram cortadas.
A expectativa é de que outros produtores sigam o exemplo de Teixeira e busquem
recursos para a implementação de práticas sustentáveis de produção ao longo
deste ano. Na avaliação do secretário de Desenvolvimento Agropecuário e
Cooperativismo (SDC) do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, as medidas
aprovadas pelo Governo Federal, sobretudo a ampliação de recursos e a redução
dos juros das linhas de crédito disponíveis para financiar a agricultura, são
determinantes para a ampliação da demanda por crédito e, neste caso específico,
pelos financiamentos oriundo do Programa ABC. “Para o ano safra 2012/13, o
ministro Mendes Ribeiro Filho determinou a alocação de mais recursos para o
Programa e melhores condições para os financiamentos, reforçando o compromisso
de fortalecer a agricultura sustentável no País. O resultado é a boa procura
pelas operações já nos primeiros três meses deste ano pós lançamento do Plano
Agrícola e Pecuário”, avaliou Rocha. Ao todo, estão disponibilizados R$ 3,4
bilhões para o setor.
Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
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