Dados disponíveis no site da Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação (www.fao.org) apontam
que, após atingir seu menor preço de 2012 encerramento do primeiro semestre
(junho), o milho comercializado nos EUA abriu o segundo semestre com violenta
alta (aumento de 24% sobre o mês anterior), após o que se estabilizou. Em
outubro corrente (e até a última sexta-feira) registrava baixa de pouco mais de
2% sobre o “pico”, atingido em agosto.
Efeito da quebra da safra norte-americana, esse movimento se refletiu de
imediato no Brasil. Não por coincidência, com, praticamente, a mesma amplitude.
Tanto que, de junho para julho, o consumidor brasileiro pagou 26% a mais pela
saca do produto (R$25,03/saca em junho; R$31,68/saca em julho).
Simultaneamente, as exportações do produto passaram a registrar verdadeira
explosão: 134,9 mil/t em junho; 1,7 milhão/t em julho; 2,7 milhões/t em agosto;
3,1 milhões/t em setembro.
É de se supor, neste caso, que ao preencher o déficit da produção
norte-americana, o milho brasileiro exportado mantivesse, senão totalmente,
cotação próxima à registrada nos EUA. Mas não é o que vem ocorrendo. É verdade
que, de julho para setembro, o preço médio do produto experimentou, na
exportação, valorização de 8,5%. Mesmo assim, o preço médio alcançado no mês
passado permanece 2,26% abaixo do registrado no mês de maio, quando ninguém
sonhava com as altas mais recentes.
A resposta óbvia a esse descompasso de preços internacionais está na
desvalorização do real: de junho para cá o dólar passou a valer bem mais do que
em maio. Mesmo assim, fica a pergunta: isso justifica que, por exemplo, o preço
médio pago pelo milho exportado em setembro passado tenha sido 11% inferior ao
de setembro de 2011? A esse propósito, aliás, os números da SECEX/MDIC são bem
claros. Demonstram, entre outros dados, que no acumulado de janeiro a abril o
preço médio alcançado pelo milho brasileiro no mercado internacional registrava
alta de 13,34% em relação aos mesmos quatro meses do ano anterior. Já no
acumulado de janeiro a agosto (ou seja, com quatro meses a mais), o preço médio
foi 3,12% menor que o dos oito primeiros meses de 2011.
Naturalmente, isso passa despercebido, pois o milho é uma das poucas exceções
nas exportações deste ano: nos nove primeiros meses de 2012 obteve um aumento
de mais de 40% na receita cambial, enquanto a maioria dos demais produtos
exportados registra retrocesso. Mas poderia ser mais, pois além de o volume
exportado ter aumentado mais de 50%, o produto vale (pelo preço dos EUA) pelo
menos 20% mais que quatro meses atrás.
Sob tais condições, com certeza tem empresa levando o produto daqui a preço de
Brasil e revendendo-o no mercado internacional a preço de EUA. E quem paga a
conta é o consumidor brasileiro, especialmente a avicultura e a suinocultura.
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