Como preparar a fazenda para a campanha de vacinação

por admin_ideale

Novembro é o mês que começa a segunda etapa da
Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa. Para que a imunização seja bem
sucedida e o manejo sanitário não interfira nos resultados econômicos do
rebanho, é preciso planejar a vacinação com antecedência. “A vacinação é
encarada por muitos de forma negativa por interferir na rotina do manejo e
pelas consequências que uma aplicação mal feita pode causar no rebanho. Porém,
com planejamento e a aplicação dos conceitos de Manejo Racional é possível
obter benefícios econômicos diretos, diminuir perda de doses, danificar menos
equipamentos, correr menores riscos de acidente no trabalho e melhorar a rotina
das atividades da fazenda”, afirma o médico veterinário Renato dos Santos,
responsável pela Área de Manejo Racional da Beckhauser.

O primeiro ponto destacado pelo veterinário é a
preparação da equipe, que é fundamental para o bom resultado do manejo. É a
postura dos vaqueiros que irá determinar o comportamento do lote e o rendimento
do manejo. “É importante a equipe entender que o manejo feito com calma é mais
produtivo, pois gera menor risco de acidentes e contratempos. E que o
planejamento também ajuda muito a fazer o trabalho render mais, ser mais
tranquilo, menos cansativo e mais seguro”, ressalta Renato.

O veterinário orienta reunir com antecedência os
responsáveis pelo trabalho, determinando tarefas a partir dos seguintes
questionamentos: Que vacinas serão aplicadas? Quando? Quais animais serão
vacinados? Onde a vacinação será realizada? Quem fará? Como a vacina será
aplicada, segundo os padrões de Boas Práticas de Manejo?

As instalações devem ser revisadas e precisam estar
em dia para o manejo. Muitas vezes, a fazenda faz tudo certo com relação aos
medicamentos, conservação, higiene, treinamento da equipe, porém esquece-se de
olhar como está sua infraestrutura, que é um fator determinante para o
rendimento do trabalho.

“Um tempo antes da vacinação vale a pena fazer uma
revisão completa das instalações. Procure manter o piso limpo e seco, pois essa
medida diminui os riscos de acidentes. O ideal é percorrer o caminho por onde
passam os animais, verificando onde podem lesionar-se com pregos salientes,
pedras, buracos, pontas de tábuas, arames, vidros, agulhas etc. ou aspectos que
dificultem sua condução, como sombras e objetos no caminho. Esses problemas
devem ser corrigidos imediatamente”, orienta Renato.

Ele recomenda também verificar se as porteiras
abrem e fecham com facilidade e fazer uma boa revisão no tronco de contenção,
já que a vacinação racional é feita com os animais contidos, um a um, no tronco
de contenção. O tronco deve estar limpo, lubrificado e com todas as peças
funcionando corretamente. “A preparação das instalações resultará em maior
agilidade, menor risco de acidentes para o pessoal e para os animais e maior
eficiência do processo”, garante o veterinário.

O MANEJO DE VACINAÇÃO

“Sob estresse, o bovino produz hormônios, como
cortisol, que têm consequências fisiológicas que fazem com que o animal tenha
menor probabilidade de reagir imunologicamente à vacina ou a um vermífugo. Por
isso, o manejo deve ser feito com calma e sem agressões; dessa forma nos
aproximamos do 100% de eficiência na imunização, do contrário, provavelmente a
fazenda estará jogando boa parte da vacina fora”, destaca o veterinário.

A condução dos animais até o curral deve sempre ser
realizada com calma, sem correrias ou gritos. “Use sempre um vaqueiro diante da
tropa (ponteiro) e não utilize objetos pontiagudos, muito menos choque”,
recomenda o veterinário.

Quando o pasto for distante do curral, deve-se
conduzir os animais na tarde anterior, deixando-os passar a noite no pasto
próximo ao curral. O ideal é que o pasto tenha água, sombra e cocho para
proporcionar pequenas quantidades de alimento que acostumem os animais a irem
ao curral.

“Em dias de chuva, quando se forma barro mole no
curral, deve-se evitar manejar com vacinas, pois há grande probabilidade de se
injetar terra junto com o medicamento”, alerta.

Renato explica que os animais devem ser levados
para o curral em lotes de acordo com a capacidade de processamento, pois encher
demais o curral dificulta o manejo e aumenta o estresse do gado. A seringa deve
ser abastecida com a quantidade adequada de forma a permitir um fluxo de manejo
constante: “O bovino é um animal gregário, de grupo, e caminha seguindo o da
frente. Se não tiver a quem seguir, torna-se mais difícil embretá-lo. Por outro
lado, se colocamos mais animais na seringa do que ela comporta, certamente
provocaremos lesões e estresse, com consequências diretas no resultado da
imunização”, diz.

A aplicação do medicamento deve obedecer à
legislação, que determina que seja feita na tábua do pescoço, sem risco de
deixar lesões e resíduos em carnes nobres. Para que isso seja feito, uma boa
contenção é fundamental. “É comum se achar que a vacinação com os animais
soltos no brete coletivo rende mais, mas se a fazenda fizer o teste dividindo
um lote em dois – no mesmo curral, com a mesma equipe – e marcar o tempo desde
a entrada do primeiro animal até a saída do último, vai ver que o tempo é o
mesmo, isso se não cair nenhum animal no brete coletivo que dê trabalho para
levantar. Mas a qualidade do trabalho, o rendimento do manejo, a tranquilidade
da equipe e dos animais e a segurança é muito maior na vacinação racional, com
os animais contidos um a um no tronco de contenção”, destaca o veterinário, que
lembra a pesquisa feita pelo Grupo Etco da Unesp em 2002 mostrando essa
comparação:

 

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