Agricultura Familiar é potencializada com as Feiras Livres

por admin_ideale

Canal de comercialização
direta entre agricultores e consumidores, a feira é uma das formas mais antigas
de mercado livre de produtos agrícolas. Além de garantir um retorno econômico
às famílias que vivem no campo, as feiras proporcionam um espaço agradável para
os consumidores dos centros urbanos, que buscam cada vez mais qualidade de vida
por meio de uma alimentação saudável. No Espírito Santo, praticamente todos os
municípios possuem essa forma de comércio livre. São contabilizadas 91 feiras
nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, sendo 6 orgânicas. Semanalmente,
aproximadamente 3.000 feirantes cadastrados comercializam seus produtos nesses
espaços.

“A feira livre é um dos
melhores canais de comercialização da agricultura familiar, pois funciona como
termômetro de qualidade dos produtos. O consumidor pode se comunicar
diretamente com o produtor e dar um retorno sobre como estão os alimentos à
venda”, afirma a coordenadora de comercialização da agricultura familiar,
Pierângeli Aoki.

O aspecto da
diversificação das culturas e da segurança alimentar e nutricional também é
lembrado por Pierângeli quando se trata dos benefícios da feira livre. “A feira
incentiva que os agricultores diversifiquem as culturas em suas propriedades e
produzam alimentos saudáveis. Também garante a segurança alimentar e
nutricional tanto de quem consome quanto de quem produz”.

Retorno econômico é
garantido a agricultores

A opção por comercializar
seus produtos em feiras livres garante ao agricultor rentabilidade e movimenta
a economia de muitas famílias que vivem no campo. O fato de lidar diretamente
com o consumidor, sem o atravessador, melhora o valor recebido pelos produtos.
Esse canal de comercialização ainda proporciona a inserção de pequenos
produtores no mercado, pois não são necessárias grandes quantidades de produtos
agrícolas para um dia de feira.

O agricultor familiar do
município de Iconha, Natanael Adami Justi, leva semanalmente seus produtos para
as Feiras de Produtos Orgânicos da Praça do Papa e de Barro Vermelho, em
Vitória. Ele consegue uma rentabilidade significativa ao final do mês. Em sua
barraca, são encontradas frutas, sobretudo a banana, cultura forte em seu
município, e produtos da agroindústria da Associação de Agricultores Familiares
Tapuio Ecológico.

Em um único dia de feira,
Natanael tem o retorno bruto de, aproximadamente, R$ 1.000 com a venda de
bananas, frutas cítricas, coco e queijos. Sua renda mensal com as feiras gira
em torno de R$ 3.500 a R$ 4.000. “Ser agricultor e trabalhar com feiras é uma
atividade que exige muito empenho, mas o retorno financeiro que ela proporciona
permite ao produtor levar uma vida confortável, com remuneração melhor do que
em outras atividades fora da agricultura”, ressalta Natanael.

A agricultora de Santa
Maria de Jetibá, Maria Helena Hamer, é uma feirante que aposta na estratégia da
diversificação das culturas para melhorar a rentabilidade na feira. “Quanto
maior a variedade de produtos que você tiver na barraca, maiores são as chances
de vender”, explica a produtora que comercializa na Feira Orgânica da Praça do
Papa. Em sua barraca, o verde das hortaliças e folhagens é predominante, mas
também há muitos tipos de verduras e legumes. Ela possui uma propriedade de um
hectare e trabalha com feira livre há apenas cinco meses.

A feira também pode ser
uma porta de entrada para outras atividades de rentabilidade econômica para os
agricultores, como o agroturismo. A partir dos alimentos expostos, os
consumidores ficam curiosos para saber como é a unidade de produção familiar de
origem dos produtos. Esse é o caso do senhor Dalvino Braun, que abriu uma
pousada no seu Sítio, no distrito de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá.

“Fizemos uma pousada
pomerana em nossa propriedade, onde podem ser hospedadas 12 pessoas. Também há
espaço para camping. Possuímos atrativos como a Pedra do Garrafão e pesque-pague”,
contou Dalvino. Ele disse que, a partir da feira, ele pode divulgar a sua
pousada. “Muitos consumidores querem conhecer a agricultura orgânica, sobretudo
o cultivo de morangos, que trazemos para a feira”, disse Dalvino. Ele também
comercializa seus produtos na Feira da Praça do Papa.

Produto orgânico é
atrativo para consumidores

Além de gerar
rentabilidade aos agricultores, a feira livre proporciona o acesso a alimentos
frescos para os consumidores e ajuda na reeducação alimentar. É o que relata a
administradora Francesca Zardinidi: “Venho toda semana à feira, pois compro os
produtos novos e fresquinhos. Passei a frequentar depois que iniciei uma dieta
de reeducação alimentar. Eu reduzi as idas aos supermercados e acabo consumindo
menos produtos industrializados e calóricos”, disse Francesca.

Mas o acesso a alimentos
frescos não é a única motivação para quem costuma frequentar a feira livre. O
contato direto com as raízes rurais é bastante mencionado pelos consumidores.
“O cheiro dos produtos da feira faz lembrar minha infância na roça, com minha
família. É um retorno às origens. Além disso, criamos vínculos com os
agricultores, que nos convidam para visitar suas propriedades”, afirmou a
bancária Maria Bernadeth Vieira Martins, que frequenta a feira de orgânicos da
Praça do Papa, às quartas-feiras, e de Barro Vermelho, aos sábados.

A demanda por produtos
orgânicos, mais saudáveis e ecologicamente sustentáveis, tem crescido cada vez
mais. Há consumidores da Grande Vitória que realizam suas compras apenas nas
feiras livres especializadas nesse ramo. Esse é o caso da psicóloga Cristiane
Kondo, que faz da ida à feira um verdadeiro programa de família. Acompanhada
pela mãe e por seus dois filhos, ela afirma que o ambiente incentiva as
crianças a quererem uma alimentação saudável. “Meus filhos são muito alérgicos
e, aos poucos, paramos de consumir produtos industrializados no supermercado.
Eles me acompanham na feira e até sugerem quais alimentos querem levar pra
casa”, contou.

Cristiane realiza uma
verdadeira maratona semanal nas feiras orgânicas: “Sou consumidora assídua das
feiras. Na terça-feira, vou à feira orgânica de Valparaíso, na Serra; na quarta
pela manhã, em Jardim da Penha, e à noite, na Praça do Papa. No sábado, é dia
de ir ao Barro Vermelho”. Ela disse que faz esse circuito nas várias feiras
orgânicas porque pode complementar seu cardápio com produtos diferentes. “O que
tem em uma feira pode não ter em outra”, explica.

De acordo com o
Coordenador de Agroecologia e Agricultura Orgânica do Incaper, Lúcio De Muner,
a procura por alimentos orgânicos tem se ampliado cada vez mais pelas
características desse tipo de produção. “Além de a agricultura agroecológica
não fazer uso de insumos químicos, ela é uma produção sustentável, que não
agride o meio ambiente e que possibilita um regime de trabalho que prioriza a
qualidade de vida do agricultor e também do consumidor”, afirma Lúcio De Muner.

Nas feiras especializadas
de orgânicos, é possível adquirir esses produtos por um preço mais acessível do
que em supermercados devido ao contato direto, estabelecido entre os produtores
e consumidores.

Programa Vida no
Campo distribui kits para feira

Com o objetivo de
fortalecer a agricultura familiar, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento,
Aquicultura e Pesca (Seag), por meio do Programa Vida no Campo, distribui os
kits feira, que conta com um convênio entre o Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA). Cada feirante recebe uma barraca, balança digital, caixas plásticas
e bancadas para montar sua barraca na feira. Apenas no ano de 2012, foram
distribuídos 35 kits, sendo 22 destinados à Associação de Produtores de Santa
Maria de Jetibá, que comercializam na feira de produtos orgânicos da Praça do
Papa.

De acordo com o gerente de
agricultura orgânica da Seag, Decimar Schultz, os kits feiras são uma forma de
apoiar os agricultores no acesso ao mercado. “Estamos incentivando a
estruturação de feiras exclusivamente orgânicas. É uma forma de mostrar
credibilidade ao consumidor e impulsionar o agricultor a produzir alimentos
saudáveis”, afirmou Decimar. Ele também disse que a Seag tem contribuído para a
revitalização de feiras livres a partir da demanda dos municípios.

Mercados
impulsionam comercialização em municípios do interior

Além das feiras livres,
outro canal de comercialização direta existente nos municípios do interior do
Estado são os mercados municipais. Essas iniciativas têm proporcionado uma
movimentação da economia local, como no caso do Centro de Comercialização do
Agricultor Familiar, em Vila Pavão.

Com funcionamento de
segunda a sexta-feira, o mercado abre há sete anos e é abastecido diariamente
com verduras, frutas e produtos regionais da agroindústria fornecidos por cerca
de 140 agricultores locais. A venda dos alimentos é feita por funcionários
contratados pela prefeitura municipal. De acordo com o chefe do Escritório
Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) do Incaper, Wantuil Luiz Cordeiro, após a
inauguração do centro de comercialização, a agricultura local foi fortalecida.

“O Incaper realizou um
trabalho de organização de grupos produtivos de agricultores, que receberam
capacitação na área de produção de hortas, agroturismo, agroecologia e
comercialização de alimentos. A partir dessa iniciativa, houve a diversificação
da produção nas propriedades e a necessidade de vender os produtos em um espaço
específico. O centro de comercialização foi a concretização desse processo”,
relatou Wantuil. Ele disse que essa experiência serviu de modelo para outros
municípios da região Norte capixaba.

Para a agricultura Aulira
Leke, que reside na comunidade de São Roque do Estevão, em Vila Pavão, a
iniciativa do mercado foi importante. “Entregamos nossos produtos toda segunda
e quinta-feira. Conseguimos arrecadar R$ 700 por mês”, afirmou. Ela disse que
entrega produtos como polpa de fruta, hortaliças, pó de café e temperos.
“Deveria haver mais espaços de comercialização no município, como feiras
livres”, sugeriu Aulira.

Inspirado nesse modelo de
mercado, o município de Alto Rio Novo inaugurou, em 2010, um Centro de
comercialização da agricultura familiar, conhecido como ‘lojinha’. Cerca de 150
agricultores vendem, aproximadamente, 52 produtos nesse espaço comercial, que
vão desde ovos caipiras, artesanatos e própolis a sabão, rapadura, café e fubá.
“A renda gerada ao município gira em torno de R$12 mil mensais e cada
agricultor recebe em torno de R$ 1.000 pelos produtos vendidos”.

De acordo com o chefe do
ELDR de Alto Rio Novo, Thiago dos Santos, a iniciativa dos mercados municipais
deve ser incentivada. “É necessário avançar em alternativas de comercialização
nos municípios, pois contribuem na diversificação da produção na propriedade,
geram renda para o agricultor e proporcionam evolução para a cidade”, afirma
Thiago.

De acordo com a
coordenadora de comercialização da agricultura familiar, Pierângeli Aoki, para
incentivar a comercialização em feiras livres, o Incaper tem realizado diversas
ações nos municípios. “O Instituto, por meio da integração de seus programas,
tem trabalhado para adequar e uniformizar os produtos da agricultura familiar.
Além disso, temos contribuído na organização de grupos produtivos e
associações, com tecnologia social, para ofertar produtos de qualidade aos
consumidores”, disse Pierângeli. Ela reiterou que esse trabalho é necessário
para contribuir com a melhor estruturação e ampliação das feiras nos
municípios.





Luciana Silvestre e Mariana Bergamini

Comente esta notícia. Clique aqui e mande sua opinião.


necessário colocar nome completo, e-mail e o título da notícia comentada. Todos
os comentários enviados serão avaliados previamente. O portal Campo Vivo não
publicará comentários que não sejam referentes ao assunto da notícia, como de
teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem direito de terceiros,
etc.)

Siga o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo



O Campo Vivo também está no Facebook


Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar