A recuperação de preços do frango vivo, embora sem
a mesma intensidade observada em agosto, teve continuidade em setembro. Dessa
forma, o mês foi encerrado com um incremento de 7,33% em relação ao mês
anterior, enquanto em comparação ao mesmo mês do ano passado o aumento foi de
25,47%.
Parece ser um resultado ótimo se considerado que a
inflação oficial dos últimos 12 meses não chega a 6%. Na realidade, porém,
continua sendo um resultado mais do que sofrível porque, por exemplo, não chega
a repor os custos de produção e, assim, impossibilita a diminuição dos
prejuízos acumulados que, ao contrário, só fazem aumentar, gerando apreensão
cada vez maior no setor produtivo.
Não só isso. Ainda que continuem sendo um amplo
balizador de toda a avicultura de corte, os preços do frango vivo já não
refletem com eficiência a realidade do mercado, especialmente porque nos
últimos meses a criação independente caiu de forma significativa. Assim, o
produto pode estar registrando evolução à frente da efetiva realidade de
mercado.
E que realidade seria essa? Talvez a média entre
granja (ave viva) e atacado (ave abatida). E, neste caso, os resultados de
setembro apontam que para um incremento anual de 25,47% do frango vivo, o
abatido experimentou variação de 16,61%. E se, em relação ao mês anterior, a
variação da ave viva ficou em 7,33%, a da ave abatida não passou de 2,22%.
Independente disso, entretanto, é notório que a
remuneração obtida pelo frango vivo continua totalmente defasada. Prova disso é
encontrada quando se retrocede às vésperas da primeira fase da crise que há
quatro anos afeta a economia mundial. Pois em relação aos preços pagos e
recebidos em agosto de 2008, o frango vivo conseguiu, apenas, acompanhar de
perto a inflação do período, que anda em torno dos 25%. Mas permanece com
evolução aquém da alcançada pelo milho (hoje, preço mais de 30% superior ao de
então) e muitíssimo abaixo da registrada pelo farelo de soja que, em relação ao
que foi registrado quatro anos atrás, tem atualmente valor quase 100% superior.
Ah! sim: nesses mais de 48 meses, a valorização do
frango abatido foi inferior aos desses quatro itens – não passou de 20%.
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