Atenção ao bem-estar do rebanho garante mercado à carne

por admin_ideale

A
preocupação dos consumidores com o bem-estar dos animais de produção é
crescente em todo o mundo. Foi a partir dessa constatação que o zootecnista
britânico Donald Broom construiu sua argumentação da importância de se
observarem as técnicas de manejo na pecuária para ganhar mercados. “Marcar o
gado com ferro quente, por exemplo, é algo que provoca muita dor e vários
mercados já restringem a compra de animais que passam por esse procedimento.
Suspender essa prática é algo barato e que aumenta o bem-estar do rebanho”,
exemplificou ele.

O especialista, considerado o “papa do bem-estar animal”, foi um dos
palestrantes da VII Jornada do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de
Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (Ufrgs), que se encerrou na sexta-feira (28-09) na sede da
Farsul, em Porto Alegre. Em sua palestra, Broom destacou que é importante
entender os valores do consumidor. Ele também apontou, ainda, alguns indicadores
de bem-estar e as certificações que existem em relação a esse tema.

Para o pesquisador, o Brasil é um dos países mais avançados com relação à
produção de conhecimento acadêmico sobre a produção pecuária e o bem-estar
animal. “Aqui os produtores têm acesso à informação científica sobre o tema.
Claro que não são todos, assim como não são todos os consumidores que
atualmente se preocupam com as condições de produção. Mas a tendência é que
isso aumente”, disse ele.

O coordenador do Nespro, médico-veterinário Júlio Barcellos, destacou que as
pesquisas apresentadas durante os dois dias do evento visam a um maior
equilíbrio na produção pecuária. “Buscamos tanto o equilíbrio social e
econômico quanto o ambiental. Fazer com que o setor produtivo se aproprie das
informações encontradas pelos pesquisadores é ainda mais importante nesse
momento em que todos almejam aumento da produtividade”, explicou.

Para Barcellos, só é possível atingir o equilíbrio na pecuária com a
incorporação de boas práticas de cuidado, alimentação e manejo sanitário – o
que garante, também, uma carne mais saudável para o consumidor. “A preocupação
na sociedade é crescente, mas esse é um conhecimento novo. Antes, esses
cuidados com o bem-estar eram dirigidos somente aos animais de companhia”, observou.

Entre as técnicas apresentadas no encontro, Barcellos destacou aquelas voltadas
à intensificação da produção. Segundo ele, esse é o caminho para compensar a
necessidade de mais terras para a produção agrícola (que pressionam a
pecuária). Com uma maior lotação, o coordenador do Nespro destaca que é
necessário ampliar o uso do conhecimento e aumentar o investimento.

Já Broom ressaltou que, no processo de intensificação da pecuária, uma das
principais tendências é a inclusão de outras folhas na alimentação ofertada aos
animais, como de árvores e arbustos. “A intensificação provocará uma revolução
nos próximos 10 ou 20 anos. Diversificar a oferta de alimento melhora as
condições de produção e o bem-estar dos animais, aumenta a produtividade e a
biodiversidade. Com isso, o sistema de criação será mais sustentável no
futuro”, conclui.

 

Jornal do Comércio


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