O tomate é
um dos produtos que não pode faltar na cesta de compras. Porém, nos últimos
meses, o preço do fruto passou por período de oscilação. De fevereiro a abril,
o preço teve queda, chegando a R$ 0,45 o quilo. Diferente do que aconteceu em
julho, o preço médio foi cotado a R$ 2,53 o quilo. Um crescimento de 450%, em
comparação ao mês de abril, deste ano. Segundo o setor de Estatística das
Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa/ES) foi o maior preço dos
últimos dez anos.
Em seis
meses foram 45.722.33 quilos de tomates vendidos e a movimentação financeira
foi de R$ 24.915.183,30. Em julho, a oferta do produto sofreu um decréscimo. Em
abril, por exemplo, a redução foi de 33,58% na quantidade de quilo
comercializado na Ceasa/ES, o que corresponde a 1.609 toneladas. Assim,
enquanto em abril eram 4.792.499 quilos disponíveis no mercado, em julho esse
número passou para 3.183.022 quilos.
As mudanças
no preço e na quantidade foram influenciadas diretamente pela lei da procura e
oferta, como explica o gerente das Unidades Técnicas Regionais da Ceasa/ES,
Marcos Antônio Cossetti Magnago. “O fato de o tomate possuir uma boa
comercialização, fez com que muitos produtores resolvessem investir, o que
gerou uma grande oferta no mercado e despencou seu preço. Além disso, o aumento
no preço ocorreu, basicamente, devido a três fatores: exportação, condições
climáticas e a alta produção de tomate no início desse ano”, afirma.
Para
Magnago, o primeiro está ligado ao fato de o Brasil ser um país exportador e
como a demanda por tomate fora do país está grande, a quantia exportada tem
sido elevada, por isso, houve a queda na oferta dentro do país e aumento no
preço. O segundo leva em conta o fato de que nessa época do ano muitas regiões
deixam de produzi-lo. “O tomate não suporta temperaturas baixas. Portanto,
regiões frias, como as montanhas, diminuem muito seu cultivo ou mesmo deixa de
fazê-lo nesse período, o que também reduz a oferta e eleva os preços”,
complementa Magnago.
Neste
período, são as regiões de clima ameno que produzem. Sendo que, a partir de
setembro, seu plantio começa nas demais localidades, devido à chegada das
estações de primavera e verão.
O
pesquisador do Incaper, José Mauro Souza Balbino, lembra que nos períodos do
ano em que as temperaturas são baixas, as regiões com o clima quente comandam a
produção de tomate. “O tomate sofre muito com o frio e, com isso, o seu fruto
demora muito para amadurecer e sua produção caí. Outro agravante é a chuva que
tem castigado muito essas regiões e afetado seu cultivo. Portanto, isso também
favorece no preço do tomate em função da pouca oferta”, diz Balbino.
Além disso,
o pesquisador lembra que esse não é um problema restrito do estado do Espírito
Santo. Ao contrário, outros locais também têm sido atingidos, como Bahia, Belo
Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.
Quanto ao
terceiro fator, quem explica é o gerente de Divisão Técnica da Ceasa/ES, Osmar
Antônio de Nadae. “Os dados de 2011 mostram que esse foi o melhor ano para o
produtor em termo de preço. O tomate chegou a ser cotado a um preço médio de R$
1,27 nesse período, isso fez com que o produtor plantasse muito no início de
2012, achando que o valor se manteria alto. Entretanto, o que aconteceu foi o
oposto, com a grande oferta, o preço do tomate despencou e chegou a ser cotado
a R$ 0,44 o quilo. Isso desestruturou os produtores, que não conseguiram
recuperar o capital investido no plantio e consequentemente não tiveram
recursos para investir em suas lavouras”, analisa.
De acordo
com Osmar, muitos deixaram de plantar e os que plantaram reduziram muito o
cultivo. “Levando em consideração o valor da fruta desde 2002, é inédito o
patamar em que agora se encontra. A produção nunca esteve tão atrativa. Por
isso, é importante ficar atento, por causa do preço em alta, os produtores
estão animados, o que no futuro pode voltar a despencar, ocasionando a mesma
oscilação deste ano”, conta Nadae,
Diante
disso, o engenheiro agrônomo, Hermeval Guerini, explica o motivo dessa
oscilação. “O tomate é um produto muito dependente do mercado externo, visto
que o Brasil exporta uma grande quantidade. O curto ciclo de cultivo do tomate
somado a falta de planejado faz com que os produtores estejam passivos a
ocorrências como essas. No período em que o tomate está em alta, muitos
resolvem cultivá-lo. Porém, essa fase logo se encerra, gerando assim uma grande
disponibilidade e queda no preço. Hoje, para se ter ideia, o preço dessa fruta
está muito acima da média do ano passado. O valor médio que deveria está a R$
0,80 o quilo, contudo, chega a R$ 2,50 o quilo, e o que justifica isso é
justamente a falta de uma programação para a produção e a alta dependência do
mercado externo”, conclui Guerini.
Ceasa
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