Pela
primeira vez no ano, os custos de produção de leite no País apresentaram alta
expressiva, reduzindo a rentabilidade do produtor. Um levantamento do Centro de
Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, aponta um
incremento de 3% no Custo Operacional Efetivo (COE) e de 2,6% no Custo
Operacional Total (COT) em junho em comparação com o mês anterior. O cálculo
levou em conta a média dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. No mesmo período, a receita do
produtor foi afetada pela desvalorização de 1,24% no preço do leite, em
comparação a maio.
De acordo com o Cepea, os itens que mais impactam no custo de produção de leite
são o pagamento de mão de obra e a ração para o rebanho. Em janeiro, o salário
mínimo teve crescimento de 14,13%. Os custos com alimentação concentrada
apresentaram aumento de 7% entre os meses de maio e junho, na média ponderada
entre os seis estados consultados. Os preços recordes alcançados pelo milho e
pela soja são resultado da quebra na safra de grãos norte-americana e também na
redução da produção nacional da oleaginosa.
No primeiro semestre do ano, o COE aumentou 4,3% e a receita do produtor,
somente 1%. No mesmo período do ano passado o COE registrou queda de 2,8%
enquanto o preço do leite ao produtor subiu 17,2%. Em junho de 2011, o produtor
gastava 733 litros de leite para comprar uma tonelada de farelo de soja e 678
litros de leite para pagar um salário mínimo. Já em junho deste ano, foram
necessários 1.224 litros de leite para se adquirir uma tonelada de farelo de
soja e de 785 litros de leite para o pagamento de um salário mínimo, aumentos
de 67% e de 16%, respectivamente.
De acordo com a consultora da Scot Consultoria, Jéssyca Guerra, mesmo com o
aumento dos custos, o produtor ainda está recebendo mais este ano do que em
2011. Em janeiro, os preços estavam a patamares 10,4% superiores ao do mesmo
mês do ano passado. ”Os laticínios alegam que não estão conseguindo repassar o
aumento do custo para o varejo e, por isso, os preços do varejo ainda não
tiveram elevação”, afirma. A avaliação da Scot Consultoria é de que, na média
nacional, os custos subiram 0,4% entre julho de 2012 e julho do ano passado. Já
o preço do litro de leite teve queda de 1% no período. ”A situação do produtor
ainda não está ruim, porque no acumulado do ano os preços estão 4,5% maiores e
o custo está 0,9% superior”, analisa Jéssyca.
Paraná
O médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, Fábio
Mezzadri, afirma que o comportamento das cotações do leite no País está atípico
em 2012. Desde o início do ano, os preços pagos ao produtor têm se mantido
estáveis, sendo que a variação ao longo de todo o primeiro semestre não passou
de R$ 0,01, ficando entre R$ 0,79 e R$ 0,80 por litro. Mesmo durante a
entressafra – período em que os preços costumam subir – as cotações não
apresentam reação devido à maior disponibilidade de pastagens, que resultaram
em maior oferta do produto. Dados do Cepea indicam que a produção durante esta
entressafra foi 7% superior a observada em épocas anteriores na região Sul do
País.
No Paraná, entre julho de 2011 e julho de 2012, a queda nos preços pagos aos
produtores foi de 2,5%, passando R$ 0,81 para R$ 0,79. No varejo, levantamento
do Deral mostra que o litro de leite longa vida sofreu desvalorização de 6,7%.
No Paraná, o Cepea aponta aumento de 11,3% no Custo Operacional Efetivo,
registrando o segundo maior aumento do País. Em relação à redução da margem de
lucro dos produtores causada pelo aumento do custo de produção, Mezzadri lembra
que os preços deste ano estão superiores aos de 2011. ”A partir de setembro,
com o fim da entressafra, a tendência é de aumento da oferta. Ainda é cedo para
prever a situação futura dos preços, porque isso depende da oferta mundial de
leite, mas acredito que a estabilidade deve se manter”, avalia.
Folha Web
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