Pesquisadores
da área de meio ambiente reafirmaram, a importância de uma produção sustentável
no bioma Cerrado. A constatação foi feita durante audiência pública, promovida
pela Comissão Mista sobre Mudanças
Climáticas, para debater as ações relativas
às mudanças do clima no Cerrado.
O representante da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Emprapa) e
doutor em agrometeorologia, Balbino Antônio Evangelista, disse que o Cerrado
ocupa ¼ do território nacional e por isso precisa de um monitoramento contínuo.
Antônio Evangelista assinalou que o bioma se destaca na pecuária nacional, além
de ser um importante produtor de soja, algodão, milho, arroz. Ele afirmou que o
desafio da Embrapa é “produzir de forma equilibrada minimizando emissão de
gases de efeito estufa e aumentando a fertilidade do solo”.
Ele
acrescentou que “meio ambiente, economia e sustentabilidade devem estar sempre
em equilíbrio”.
Evangelista
alertou para os impactos que a mudança climática, com aumento da temperatura
média global, pode causar ao Brasil. Entre eles, a intensificação das chuvas, o
aumento do nível do mar, a substituição gradual da vegetação da floresta
Amazônica e o aumento da aridez no Nordeste.
Monitoramento
do estoque de carbono
Entre
os estudos feitos pela Embrapa em busca do desenvolvimento sustentável da
região, o pesquisador destacou os que tratam do monitoramento do estoque de
carbono no solo do Cerrado e da identificação das características das plantas
mais resistentes à seca visando transferir mecanismos delas para outras
espécies.
Ele
destacou a importância do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, o
Plano ABC, que tem como objetivo incentivar processos tecnológicos que
neutralizam ou minimizam os efeitos dos gases de efeito estufa no campo. O
programa prevê ações de recuperação de pastos degradados, tratamento de
resíduos animais e fixação do nitrogênio no solo, o que, de acordo com
Evangelista, reduz o custo de produção e melhora a fertilidade do solo.
Queimadas e incêndios
florestais
O
secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente,
Roberto Brandão Cavalcanti, afirmou que as queimadas e incêndios florestais no
Cerrado baixam a fertilidade do solo e devem ser controlados. Ele explicou que
a maioria dos incêndios é resultado de processos involuntários. “Os focos
concentram-se nos meses secos e a pior queimada ocorre na véspera da primeira
chuva”, disse.
O representante do Ministério do Meio Ambiente destacou a existência do Plano
de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado, o
PP Cerrado, que conta com a participação de 16 ministérios.
Cavalcanti disse que o plano estabelece a redução de emissões, favorece a
agricultura consolidada e a conservação. O pesquisador sublinhou também que as
queimadas no Cerrado emitem 232 milhões de toneladas de CO² por ano, efeito que
pode ser equiparado às queimadas da Amazônia. “Os resultados esperados são
esses: promover a redução da taxa de desmatamentos e queimadas e ajudar nos
compromissos que o Brasil assumiu nacionalmente de diminuir as emissões em 40%
até 2020”, explicou.
O
secretário destacou também a necessidade de se ampliar as unidades de
conservação ambiental, mas ressaltou que para isso é preciso envolver todos os
setores da sociedade. Ele acredita que, atualmente, existe uma baixa quantidade
e representatividade das unidades de conservação.
Comunidades
tradicionais
Isabel
Figueiredo, Assessora Técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza
(ISPN), entidade filiada à Rede Cerrado, ressaltou que é preciso desenvolver
também estratégias claras de conservação para as comunidades tradicionais, que
são aquelas que estão fora das unidades de conservação e de áreas de
proprietários agrícolas de grande escala.
Ela
explicou que essas comunidades têm interesse em controlar as queimadas, mas não
estão capacitadas para isso. Isabel Figueiredo disse que seria interessante a
instalação de brigadas em cada comunidade ou assentamento. “Eles não têm os
equipamentos, não sabem o que é um abafador, o que é um pinga fogo e precisam
aprender”, afirmou.
Agrolink
Comente
esta notícia. Clique aqui e
mande sua opinião.
(É necessário colocar nome completo, e-mail, cidade e o título da
notícia comentada. Todos os comentários enviados serão avaliados previamente. O
Portal Campo Vivo não publicará comentários que não sejam referentes ao assunto
da notícia, como de teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem
direito de terceiros, etc.)
Siga
o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo
O Campo Vivo também está no Facebook

