Bem no início de junho, após permanecer mais de três meses (94 dias!) sem registrar nenhum aumento, o frango vivo comercializado no interior paulista registrou a primeira das quatro altas de cinco centavos que obteria no decorrer do mês. Foi, também, a primeira reação de mercado observada desde que o setor começou a buscar a readequação da produção ao efetivo mercado – processo desencadeado logo nos primeiros dias do ano, quando se constatou a existência de estoques de passagem de carne de frango de 2011 para 2012.
Para quem passou a maior parte do semestre com preços negativos em relação ao ano anterior, a reação foi tímida. E, claro, insuficiente.
De toda forma, junho foi encerrado com a melhor média de preços do ano, com incremento de quase 9% sobre o mês anterior e de 14,6% sobre o mesmo mês do ano passado – este último um índice sem dúvida elevado, mas decorrente dos baixos preços do frango vivo em junho de 2011.
Porém, além de tímida, a reação de mercado no encerramento do semestre foi tardia. Pois não evitou que o resultado do período fosse negativo – quer em relação ao primeiro semestre de 2011, quer em relação ao semestre anterior, o segundo de 2011. Isso, sem que o custo de produção apresentasse qualquer recuo.
Mas, sem dúvida, as perdas não ficaram restritas aos dois semestres anteriores, abrangem um espaço de tempo maior. Assim, retrocedendo-se à média anual obtida dois anos atrás, em 2010, constata-se que a média deste ano foi sete centavos ou 4% maior. E como, do final de 2010 até junho passado, a inflação (aqui medida pelo IGP-M) ficou em torno dos 8,5%, é lógico considerar-se que o valor médio atingido nos últimos seis meses foi o menor dos últimos dois anos e meio.
Como sempre acontece, há esperanças de que no segundo semestre se recupere parte do prejuízo acumulado na primeira metade do ano. Mas para isso ocorrer, o setor terá que “segurar a mão”. E contar, ainda, que não haja deterioração maior na economia brasileira e mundial.
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