Já tomou um cafezinho hoje? Milhões de pessoas no Brasil diriam sim a essa pergunta, especialmente hoje, no Dia Nacional do Café. Puro, forte, pingado, espresso, cappuccino, quente ou gelado, com chantilly, sorvete ou como sobremesa, o café vai além de seu agradável aroma, sabor e qualidade. Tradição nacional e mundial, a bebida é a segunda mais ingerida no mundo, perdendo apenas para a água. Porém, a importância do café, em especial para o Espírito Santo, vai além do consumo. A produção e exportação do grão são fundamentais para a economia capixaba.
Segundo Luiz Polese, presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), se o Espírito Santo fosse um país, seria o terceiro maior produtor de café do mundo, à frente da Colômbia, por exemplo, e o segundo quando o assunto é conilon. A quantidade de sacas que sai pelo Porto de Vitória expressa bem a importância do café para a economia estadual e nacional. Até abril de 2012, o Porto de Vitória já enviou 1.235.469 sacas de café, 14% do total exportado pelo Brasil. A receita contabilizada nesse período é de US$ 252.880.401,72.
E o conilon vive o seu melhor momento no Estado. No ano em que completa cem anos de chegada no Espírito Santo, o grão assumiu o status de bebida gourmet e atualmente já existem no mercado cafés finos feitos exclusivamente de conilon. Segundo Polese, os cuidados com a colheita e a secagem em terreiro-estufa nas pequenas propriedades ou secador indireto nas médias e grandes têm produzido um conilon de excelente qualidade, que já tem sido reconhecido pelo mercado.
Nesse contexto, o presidente do CCCV destaca o papel do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf) na busca por melhorias e tecnologias, que permitiram ao conilon deixar apenas de dar “corpo” à bebida e acrescentar sabor ao arábica. “Desde 2000, o Cetcaf, em parceria com o Incaper, o CCCV, e outras instituições, desenvolve um trabalho para estabelecer um padrão de qualidade do conilon e, se essas recomendações forem seguidas, o produtor irá ter uma safra gourmet e será bem remunerado por isso. Atualmente, o café conilon bom não precisa ser necessariamente o cereja descascado, basta que ele seja bem tratado, colhido no tempo certo de amadurecimento e secado em terreiro-estufa ou secador de fogo indireto nas médias e grandes”, afirma Polese.
O café responde por aproximadamente 7% do PIB estadual e 50% do PIB agropecuário do Estado. Atualmente, o Espírito Santo ocupa o segundo lugar no ranking de produção e exportação de café no Brasil, com 25% do total colhido no país, e o primeiro em produção de conilon, cerca de 75% do volume produzido em solo brasileiro.
O Café no Espírito Santo
Até 1962, o café arábica foi senhor absoluto da economia estadual, ocupando mais de 500 mil hectares de plantação, segundo o Cetcaf. Quando o Governo Federal lançou o plano de erradicação dos cafezais por causa de uma doença conhecida como “ferrugem”, 53% do café produzido no Espírito Santo foi atingido, causando uma grave crise social e econômica.
Diante da impossibilidade de continuar com a cultura apenas arábica no Estado, os cafeicultores passaram a produzir também café conilon em regiões abaixo de 400 metros. Em 1971, iniciou-se o plantio comercial dessa outra espécie de café, que deu certo e, aos poucos, passou a ocupar os espaços deixados pelo arábica.
Atualmente, 70% do café arábica produzido no Espírito Santo e 30% do conilon vão para o mercado externo, tendo como destinos principalmente Estados Unidos, Eslovênia, Alemanha, Argentina e países da região do mediterrâneo. Hoje, mais de 30% do café arábica plantado no Espírito Santo é de bebida “dura para melhor”, ou seja, com sabor adstringente e gosto áspero, o que, segundo Polese, demonstra que o café capixaba não tem crescido apenas em quantidade, mas também em qualidade.
Comente esta notícia. Clique aqui e mande sua opinião.
(É necessário colocar nome completo, e-mail, cidade e o título da notícia comentada. Todos os comentários enviados serão avaliados previamente. O Portal Campo Vivo não publicará comentários que não sejam referentes ao assunto da notícia, como de teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem direito de terceiros, etc.)
Siga o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo
O Campo Vivo também está no Facebook

