O governo deve descredenciar empresas certificadoras que não tenham condições de fiscalizar se as fazendas cumprem as regras definidas pelo Ministério da Agricultura para a rastreabilidade do rebanho bovino, uma das exigências da União Européia (UE) para voltar a importar carne do Brasil.
A decisão será tomada depois que técnicos dos serviços federal e estaduais de inspeção fizerem auditorias, a partir de abril, nas 47 certificadoras credenciadas pelo ministério. Para a força-tarefa, entre 80 e 100 técnicos passarão por cursos de reciclagem.
O trabalho é uma resposta do governo brasileiro às críticas da missão de veterinários europeus que encerrou ontem visita de 18 dias a 27 fazendas de 5 Estados para inspecionar as condições de produção da carne a ser exportada para a UE. As importações estão suspensas desde 1º de fevereiro por causa das deficiências verificadas no rastreamento do gado.
A inspeção foi feita entre as fazendas que integravam lista de 106 propriedades que o governo considerava que cumpriam as exigências da UE. Mas nove fazendas foram cortadas durante o trabalho de inspeção, a pedido dos próprios pecuaristas ou por não cumprirem as regras de rastreabilidade.
O total das propriedades habilitadas já caiu para 97, número muito inferior às mais de 2.800 fazendas incluídas pelo governo em janeiro na primeira lista rejeitada pela UE. A lista definitiva será conhecida após os técnicos europeus apresentarem suas conclusões aos organismos sanitários da UE.
Na reunião de ontem com o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, os europeus disseram que as certificadoras deixaram a desejar no cumprimento de seu papel. Os europeus exigiam que técnicos das certificadoras acompanhassem as visitas, mas numa das fazendas
Kroetz admitiu que há problemas. “As certificadoras foram credenciadas para informar ao governo se a rastreabilidade é cumprida, mas as auditorias mostraram que há falhas.” O relatório com as conclusões da visita será enviado ao Brasil em 20 dias. Em apresentação preliminar, os europeus consideraram que houve progresso no novo modelo de rastreabilidade, que prevê a certificação por propriedade e não mais por animal. “Eles avaliam as ações como adequadas, mas ainda não houve tempo para que surtissem efeito”, contou Kroetz.
O Estado de São Paulo

