Desenvolvimento tecnológico: a base do parque cafeeiro capixaba

por admin_ideale

 


A área plantada com café conillon no Espírito Santo cresceu 11% entre 1993 e 2007. Já a produção teve um aumento mais de 20 vezes maior, saindo de 2,4 milhões para 7,5 milhões de sacas este ano. Esse incremento vertiginoso da produção, conforme indicam os números do Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper), apresentados por seu diretor presidente, Enio Bergoli, durante o 15º Encafé, resultam basicamente do aumento da produtividade, que quase triplicou nos últimos 14 anos, saltando de 9 sacas por hectare para 26 sacas por hectare.


“Tivemos uma evolução de conhecimento nesse período, o que resultou em crescimento baseado em tecnologia, ao contrário do Vietnã, onde o aumento de produção se deu com expansão da área”, afirmou o dirigente, mostrando-se satisfeito com as pesquisas realizadas no Estado em favor do desenvolvimento do conillon, cultura presente em 64 dos 78 municípios capixabas.


Esses estudos indicam uma produtividademédia de 26 sacas por hectare e um potencial de rendimento para algumas variedades melhoradas que chega a 228 sacas por hectare.


Mesmo com o progresso registrado nos últimos anos no que se refere à produtividade, há ainda um grande espaço de desenvolvimento para a cultura. Segundo Bergoli, esse distanciamento acentuado entre a produtividade média e a produtividade em potencial deve-se ao fato de a produção de conillon ser uma atividade comercial ainda muito recente. Os primeiros plantios comerciais só foram acontecer em 1971, em ação pioneira da Real Café.


O caminho a ser percorrido pelo conillon no Espírito Santo está sendo trilhado sobre bases tecnológicas. Assim, além de variedades mais produtivas, os pesquisadores locais estão se dedicando ao desenvolvimento de variedades que sejam tolerantes a doenças, apresentem rendimento industrial, grãos grandes, uniformidade de maturação, qualidade e estabilidade.


Entre 1985 e 2007, o Incaper lançou seis novas variedades. O destaque vai para a variedade 8142, o conillon Vitória, que tem como principais características a alta produtividade, estabilidade, tolerância à ferrugem e à seca, grãos grandes e uniformidade dematuração.


“Esse é o nosso super café”, brinca, orgulhoso, o diretor do Incaper. O conillon Vitória, ao contrário das demais variedades, que chegaram ao mercado depois de quatro colheitas, passou por oito colheitas até ser lançado em escala comercial. “Estamos usando a estratégia de jardins clonais para propagar essa variedade melhorada geneticamente”, conta. São 190 deles, espalhados por 50 municípios. A partir de 2008, esses jardins terão capacidade de produzir 80 milhões de mudas, total que permitirá, anualmente, a renovação de 10% do parque cafeeiro.


O trabalho não pára na genética, ou seja, não se restringe ao laboratório, mas alcança o produtor. “Conhecimento que não é socializado, não vale”, ressalta Bergoli, explicando que é preciso que o produtor acredite na tecnologia para querer aplicá-la. Por isso, transferência e difusão tecnológica têm sido priorizadas dentro do Plano Estadual da Agricultura Capixaba, implantado em 2003. Desde então, anualmente, vem sendo realizadas uma média de 1.600 reuniões técnicas, 130 cursos e 60 encontros/dias de campo, sempre com vistas a ampliar o conhecimento dos produtores.


O resultado dessa ação está sendo colhido, sobretudo, no Norte do Estado, que apresenta cafezais em melhor desenvolvimento do que nos localizados nas regiões Sul e Noroeste. Essas duas últimas, por apresentarem solos qualitativamente melhores, demoraram mais a introduzir tecnologia no manejo. Já no Norte, onde chove pouco, as plantações comerciais foram iniciadas com maior utilização tecnológica, por exemplo, adoção de técnicas de irrigação. Com base nessa percepção, o que o Incaper vem fazendo nos últimos anos é realizar um trabalho específico de transferência de tecnologia para os cafeicultores do Sul, a fim de uniformizar o parque cafeeiro do Espírito Santo.


Bergoli destaca que os cafezais reagem muito positivamente às novidades de manejo. “Só com a tecnologia de podas, tivemos uma ampliação de produção de 30%”, afirma. Hoje, 60% da produção – dados da Miranda Café dão conta de uma safra de 9,5 milhões de sacas em 2007 – de conillon do Estado é cultivada em 35% da área plantada e que já passaram por renovação de suas lavouras.


O estabelecimento de metas de ampliação da produção no Estado, que hoje envolve 220 mil capixabas e 75 mil famílias, baseia-se num cenário positivo para esse tipo de café. “O Brasil não está exportando conillon porque toda a produção fica no mercado interno”, afirma Bergoli. Ele calcula que em 2010, quando a ABIC estima alcançar a meta de consumo de 21 milhões de sacas, a demanda pelo conillon ficará na faixa de 16 milhões de sacas, das quais 8,4 milhões para omercado interno, 3 a 4milhões para a indústria de solúvel e outros 4milhões para a exportação.


Que os ventos sigam soprando a favor!


 


Jornal do Café

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