Enquanto muitos apontam o agronegócio como o vilão e a agricultura familiar como mocinha na história da produtividade, poucos enxergam que uma não se faz sem a existência da outra
Para muitos, agricultura familiar e agronegócio são como óleo e água: não se misturam. Enquanto a primeira tem a boa fama de se desenvolver em harmonia com o meio ambiente, garantindo de forma sustentável o desenvolvimento econômico de milhares de famílias Brasil afora, o agronegócio, por sua vez, sofre com o estigma de vilão.
Uma análise um pouco mais cuidadosa, porém, mostra que nem sempre as coisas são o que parecem ser. Em fóruns e congressos mundo afora, muito se diz sobre o fato de a agricultura familiar responder por 70% da produção de alimentos do País.
A primeira pergunta que deve ser feita é: quais são os alimentos que a agricultura familiar produz? Segundo o Censo Agropecuário de 2006, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as pequenas propriedades familiares respondem por 34% do arroz produzido no País, 77% do feijão preto, 54% do feijão de cor, 34% do café e 16% dos ovos.
Por aí se vê que, responder por 70% da produção é uma informação equivocada ou fora de contexto. É claro que a agricultura familiar tem participação relevante na produção, mas é preciso verificar também que ela não é a maior produtora dos itens principais que compõem a alimentação básica do brasileiro.
Procurar vilões ou mocinhos na produção agrícola brasileira significa olhar para o lado oposto dos desafios do setor. O intuito é mostrar que enquanto houver a separação entre agronegócio e agricultura familiar, as diferenças continuarão enormes.
A agricultura familiar tem suas definições claras e estipuladas, mas o agronegócio é ‘apenas’ o agronegócio. O detalhe, porém, é que ele engloba muito mais do que a produção industrial.
Abrange também as empresas produtoras de insumos, os centros de pesquisa, as empresas de transporte e logística, os centros universitários e também a agricultura familiar, que faz parte dessa cadeia produtiva, mas precisa de incentivos para que possa aumentar sua produtividade, melhorar a competitividade e proporcionar desenvolvimento social e econômico para as famílias que dela dependem.
Afinal, garantir a segurança alimentar de quem produz e de quem consome, passa também pela melhoria das condições dessas pessoas.
É por essas e outras que conhecer a fundo a realidade da agricultura brasileira, tanto a feita pelos pequenos produtores, quanto àquela feita por grandes empresas é fundamental para o desenvolvimento do setor.
Só assim será possível pensar em programas de crédito e projetos socioambientais que contribuam de fato para o desenvolvimento sustentável do campo brasileiro, que é feito por pequenos, médios e grandes. E lembrar que todos eles fazem o agronegócio.
Rede Agro
Comente esta notícia. Clique aqui e mande sua opinião.
(É necessário colocar nome completo, e-mail, cidade e o título da notícia comentada. Todos os comentários enviados serão avaliados previamente. O Portal Campo Vivo não publicará comentários que não sejam referentes ao assunto da notícia, como de teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem direito de terceiros, etc.)
Siga o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo
O Campo Vivo também está no Facebook
COMENTÁRIOS
Fabricio Carraretto Barreto – Linhares /ES – 03/09/2011 – pelo Facebook
Muito bom o artigo. Não importa o tamanho, importa que seja eficiente e sustentável! E o consumidor por outro lado quer pagar cada vez menos por mais!

