Inconsistência de dados elimina fazendas da lista da carne para UE

por admin_ideale

 


Apesar de o governo já ter reduzido de forma significativa a lista de fazendas consideradas aptas a vender animais para frigoríficos que exportam carne in natura à União Européia (UE), os técnicos europeus que estão no Brasil desde domingo encontraram novas inconsistências nos relatórios sobre as fazendas. Por causa disso, os europeus e técnicos do Ministério da Agricultura decidiram, de comum acordo, excluir outras propriedades da lista.


Na sexta-feira, o ministério encaminhou documento à UE informando que, após analisar a documentação das propriedades auditadas em janeiro, constatou que menos de 200 fazendas cumpriam todos os requisitos previstos na Instrução Normativa 17, de 2006, que define as regras da rastreabilidade do gado. A lista apresentada na sexta-feira teria apenas 150 propriedades, mas, desde então, algumas foram excluídas.


Em janeiro, o governo havia apresentado uma relação de 2.681 fazendas consideradas aptas, mas a lista foi recusada e as exportações suspensas a partir deste mês. Depois, o governo tentou obter a concordância dos europeus para uma relação de pouco mais de 500 fazendas, igualmente sem sucesso.


Nos corredores do prédio anexo do ministério, onde fica a Secretaria de Defesa Agropecuária, a torcida é para que reste alguma fazenda na lista que servirá de base para escolha das propriedades que serão vistoriadas pelos europeus até 11 de março. Uma fonte que participou das reuniões disse que os europeus têm sido exigentes. “Eles também estão sendo pressionados”, constata.


O Ministério da Agricultura informou ontem que os dois técnicos da UE decidiram visitar fazendas de pecuária em 27 municípios do Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Além destes Estados, Santa Catarina também é área habilitada para vender animais para frigoríficos que abastecem o mercado europeu, mas na prática o Estado não vende diretamente aos 27 países do bloco pois não há abatedouros habilitados em seu território. As visitas devem se intensificar na próxima semana, quando outros sete técnicos da União Européia chegarão ao Brasil.


Mesmo com os seguidos cortes na lista de fazendas e as exigências dos europeus, técnicos do ministério ressaltam a importância da missão para retomar as vendas de carne bovina in natura ao bloco. “Não interessa o número de fazendas que estarão na lista ou que serão inspecionadas”, disse uma fonte do governo. “O importante é reabrir o mercado, o que depende da apresentação de dados confiáveis”, completou um técnico. Segundo ele, todas as fazendas que comprovadamente cumprirem as regras de rastreabilidade poderão vender ao bloco, e não somente as que serão vistoriadas.


O Estado de São Paulo

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