Os produtores de borracha podem ter uma nova fonte de renda em sua atividade através do mercado de crédito de carbono. A capacidade de a seringueira capturar o gás carbônico da atmosfera pode gerar receita para o agricultor. Esse tema foi abordado, nesta terça-feira (12), em palestra realizada pela Cooperativa dos Produtores de Borracha do Espírito Santo (Coopbores), em Linhares.
O especialista em mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Marco Olívio Morato de Oliveira, explicou de que forma é possível obter renda extra com o crédito de carbono. Segundo ele, acordos internacionais para redução de gases de efeito estufa estimulam países desenvolvidos que não cumprem as metas estabelecidas a financiarem projetos em países que conseguem atingir as metas. “A segunda fase do Protocolo de Kyoto pode gerar um mercado interno de crédito de carbono no Brasil, beneficiando os projetos do país”, afirmou Marco Olívio. De acordo com o especialista da OCB, já existem alguns casos de recuperação de floresta nativa que conseguiram comercializar o crédito de carbono para projetos internacionais.
Atento ao tema exposto, o engenheiro agrônomo Geraldo Fereguetti acredita que o mercado é uma boa oportunidade para projetos dessa natureza. “Já existem trabalhos acadêmicos sobre cálculos para quantificar o carbono seqüestrado, avaliando a variedade da planta, tipo de solo, entre outros fatores. É uma mudança de paradigma. O produtor terá um gasto adicional para elaborar o projeto, mas terá um plus na atividade”, disse.
De acordo com as normas internacionais só estão aptos para participar do mercado de crédito de carbono plantios após 1989. “É um incentivo para os novos cultivos de seringueira. O produtor pode ter duas rendas, a borracha e o carbono”, avaliou Guilherme Mosca, produtor de borracha.
A Coopbores irá contratar um especialista para uma reunião técnica com os produtores com o objetivo de discutir os projetos para participação no mercado de carbono. “Essa palestra proporcionou um entrosamento sobre o assunto. Agora, vamos buscar o mercado”, destacou o presidente da cooperativa, Emir de Macedo Gomes Filho.
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