A indústria de defensivos agrícolas aumentou em 7% as vendas de janeiro a maio deste ano. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). Para algumas empresas, o bom momento deve manter-se no segundo semestre, já que o produtor está mais disposto a ampliar o uso de tecnologia no campo.
Em um encontro em São Paulo, empresários de diversos setores avaliaram o crescimento do agronegócio brasileiro. As vendas de defensivos, por exemplo, mostram um cenário otimista. As culturas de algodão, cana, trigo e milho estão entre as que puxaram o resultado.
– Já há uma maior antecipação de compra no canal de distribuição. Nós estamos vendo que, por hectare, há um investimento maior porque a relação de benefício neste segundo momento, que é o momento da colheita, compensa o investimento – disse Eduardo Daher, diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).
O diretor de Operações de Negócios Brasil da Bayer Cropscience, Gerhard Bohne, confirma a boa fase.
– O primeiro semestre, comparando com o primeiro semestre do ano passado, correu bem, principalmente por causa dos altos preços de commodities, grande demanda de produtos para a cana. Os usineiros estão investindo para aumentar a produção de etanol e de açúcar e o mercado de algodão está bastante aquecido – observou Gerhard Bohne.
O diretor regional para a América Latina da Syngenta, Antônio Carlos Motta Guimarães, tem a mesma opinião.
– Os preços de commodities mais elevados criaram uma expectativa positiva de lucratividade para os agricultores e uma perspectiva de investimento maior em tecnologia – falou Guimarães.
O investimento deve manter-se no segundo semestre, o qual concentra 70% da demanda por defensivos agrícolas. Com isso, a Andef projeta para 2011 um faturamento de US$ 8 bilhões. Se confirmado, vai ser um crescimento de 9,6% em relação a 2010.
– Em 2011, ainda com o dólar sofrendo essa pressão muito grande, vamos ter um faturamento maior, não só pelo efeito cambial, mas, sobretudo pelo aumento dos investimentos. É, efetivamente, a disposição do produtor agrícola brasileiro em investir em tecnologia – frisou Eduardo Daher.
Antônio Carlos Motta Guimarães acredita que o maior uso de tecnologia deve determinar o aumento da produtividade na lavoura.
– Nós não vemos que esse aumento venha tanto da área plantada, mas um aumento de produtividade proveniente da maximização do uso dos nossos produtos. E isso gera uma perspectiva positiva para o segundo semestre para a agricultura brasileira – falou.
Gerhard Bohne concorda que a tecnologia pode ajudar a aumentar a produção nas próximas safras.
– Nós estamos esperando que essas culturas como soja, milho e algodão tenham um aumento de área, mas principalmente um aumento de tecnologia para se produzir mais na próxima safra por causa dos altos preços de commodities. Nosso objetivo é crescer tanto ou mais que o mercado – concluiu Gerhard Bohne.
Canal Rural
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