Ministro “esquece” endividamento e diz que turma do café esta rindo à toa

por admin_ideale

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, com um acumulado nos últimos 12 meses que registrou uma receita de US$ 7,02 bilhões em exportações do produto (verde e solúvel), o que significa o maior valor anual de que se tem registro.


Apesar disso, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, quase não falaram do produto no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2011/ 2012, em Ribeirão Preto, uma das mais prosperas cidades do país e que tem suas bases construídas com a riqueza do “ouro verde”.


 


O ministro, em seu bem humorado discurso, disse que “depois que o governo se reuniu com a turma do café, está todo mundo rindo à toa”. Essa foi a única vez que Wagner Rossi se referiu ao café no evento, mas detalhou, por mais de meia hora, como o Plano Agrícola e Pecuário irá contemplar o setor canavieiro, a citricultura e a pecuária, incluindo renovação dos canaviais e das pastagens.


Já a presidente Dilma foi mais sensível e profunda em sua curta fala dirigida ao café, dizendo que “a cafeicultura gerou excedentes que financiaram historicamente a industrialização do país. O Brasil tem posição excepcional como fornecedor de alimentos ao mundo. É o segundo maior exportador de soja e o primeiro exportador de café, carne, laranja e açúcar”. Depois, mudou de assunto e o café não foi mais lembrado pela presidente e nem pelas autoridades presentes, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin que se esqueceu da região Alta Mogiana, grande produtora de cafés de qualidade, bem como o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, que proferiu um discurso longo e confuso, mas não mencionou a palavra “café”.


O material de divulgação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi muito bem elaborado e detalha em pormenores o Plano. Na introdução o café é citado como destaque da produção brasileira, em meio a outros produtos.


O apoio à comercialização e a fixação de preço mínimo refere-se, inclusive à produção de piaçava, mas não cita o café, que continua com preço mínimo fixado em R$ 261,00, há quase dois anos, apesar do preço da saca estar, em média, R$ 500,00.


Mas a beleza do grão do café no pé foi reverenciada na página 58 do livreto, em bela fotografia, que não está relacionada com o assunto. Na página 81, no item Medidas Setoriais – Ações para o Agronegócio Café, o Ministério da Agricultura prevê a disponibilização de R$ 2,29 bilhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para a safra 2011, sendo que R$ 600 milhões serão destinados para custeio, R$ 300 milhões para colheita, R$ 500 milhões pra estocagem e R$ 500 milhões para financiamento de Aquisição de Café. O detalhamento dessas ações vai apenas até a página 83.


Importância


O Brasil exportou 2,39 milhões de sacas de 60 kg de café verde em maio, alta de 7,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em abril, o Brasil havia embarcado 2,47 milhões de sacas de café verde, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).


Incluindo o café solúvel, as exportações de café somaram o equivalente a 2,62 milhões de sacas em maio, 3,7% mais que há um ano. Os embarques totais no acumulado dos últimos 12 meses ficaram em 32,25 milhões de sacas, contra 27,64 milhões em igual período de 2010.


Os preços do café arábica – a variedade mais cultivada no Brasil – atingiram picos de mais de 30 anos em 2011 na bolsa de Nova York, com estoques reduzidos do produto nos principais mercados consumidores.


Nas últimas semanas houve um recuo nos futuros, mas que ainda operam em níveis que são o dobro dos verificados há um ano. Somente no mês de maio, a receita com os embarques foi 80% maior que em igual período do ano passado, alcançando US$ 706 milhões, informou o Cecafé.


Em relação à importância social do café para o país, há 320 mil cafeicultores no Brasil, gerando oito milhões de empregos, sendo 84% de mini e pequenos produtores, que vivem, há cerca de dez anos, sob um endividamento crônico, causado pela falta de políticas efetivas por parte do governo para o setor.


Apesar das últimas altas nos preços do café, a situação dos produtores ainda não foi resolvida. O café não foi tratado com a importância que tem para o país, mas lideranças acreditam que o momento é propício para a o início de novas ações trarão soluções definitivas.


 


Coffee Break


 


 


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