A falta de atenção e de cuidado de alguns produtores de morango que não seguiram os critérios e as orientações técnicas recomendadas pode prejudicar toda a cadeia produtiva da cultura no Estado. Esses produtores compraram mudas de morango contaminadas pela bacteriose, doença que não causa dano à saúde humana mas impede a qualidade do produto.
O alerta vem de pesquisadores e técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), que constataram a contaminação de plantas em Tijuco Preto, Domingos Martins, e Garrafão, em Santa Maria de Jetibá.
A doença, que se dissemina rapidamente entre as plantações, é causada pela bactéria “Xanthomonas fragariare”, mas não contamina os frutos e nem causa dano à saúde humana. Ataca as folhas das plantas, provocando a meleira, e também os caules dos frutos. As plantas contaminadas perdem a vitalidade e a produtividade cai. O resultado disso é prejuízo para o produtor.
O combate à doença, alerta, o fitopatologista e pesquisador do Incaper, José Aires Ventura, é feito com a erradicação das plantas contaminadas. Portanto, os produtores que constatarem plantas doentes em suas lavouras, devem arrancá-las imediatamente. As plantas doentes devem ser queimadas ou enterradas para evitar que toda a lavoura tenha que ser erradicada e também para evitar a contaminação do solo.
A bacteriose já foi encontrada em lavouras de morango por três vezes, pelo menos, no Espírito Santo. E todas as vezes a doença chegou por meio de mudas contaminadas compradas em outros Estados ou outros países por produtores que não seguiram as recomendações dos técnicos, explica César Teixeira, coordenador do Polo de Morango e especialista em produção de mudas.
Prejuízo
Os produtores, lembrou Aires, devem redobrar os cuidados por vários motivos. Um deles é para evitar que a doença se propague pelas lavouras e contamine todas as plantas. Se isso ocorrer, o prejuízo será incalculável porque a safra do morango está no início e se a doença se espalhar os produtores correm o risco de perder toda a produção.
O chefe do Departamento de Defesa Sanitária e Inspeção Vegetal do Idaf, Ezron Leite Thompson, explica que os técnicos estão avaliando as informações recebidas para decidir o que deverá ser feito para evitar que a doença se espalhe para outras lavouras. A recomendação é que os produtores redobrem a atenção e eliminem imediatamente as plantas doentes.
Segundo Ventura, não é recomendada a aplicação de nenhum tipo de agrotóxico porque os resultados não são satisfatórios. O fitopatologista recomenda aos produtores que não comprem mudas de viveiros que não tenham certificação para evitar novas contaminações. O Incaper estuda a possibilidade da implantação de unidades de produção de mudas de morango no Estado.
A Gazeta
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