A liberação comercial de uma variedade de feijão transgênico foi discutida nesta terça, dia 17, em Brasília. Caso a venda seja aprovada, agricultores e consumidores terão acesso ao novo grão em 2014.
Pesquisadores e interessados no assunto discutiram os prós e os contras da comercialização de cultivares geneticamente modificados. Os grãos são resistentes ao vírus do mosaico dourado, doença que pode causar perdas de até 100% nas lavouras.
– Esperamos que esse feijão possa alterar um pouco a sazonalidade do grão, ou seja, mais disponibilidade ao longo do tempo com menores queda de feijão armazenado – disse Francisco Aragão, pesquisador da Embrapa.
Ana Carolina Almeida, da ONG Terra de Direitos, afirma que os testes já realizados não são suficientes.
– O agricultor que tem a sua semente criola cultivada há dezenas, centenas de anos, pode ter a sua cultivar contaminada por uma variedade transgênica, porque a CTNBIO não avaliou criticamente a possibilidade de fluxo gênico – afirmou Ana Carolina.
Os diferentes argumentos ainda serão analisados pela CTNBIO.
– Encerrada a audiência pública, os relatores vão ter condições de emitir seus pareceres. Esperamos que nos próximos dias ou na outra semana, em uma nova reunião da CTNBIO, esse processo seja votado – afirmou Francisco Zerbini, integrante da CTNBIO.
Se a venda for liberada, o feijão transgênico deve estar nas prateleiras em 2014. Segundo os pesquisadores, a redução dos custos de plantio deve resultar em um produto mais barato para o consumidor.
Resta saber se quem compra vai aderir à novidade.
– O transgênico ainda é uma dúvida, porque ele é uma experiência. É preciso que o povo conheça melhor – observou a professora Márcia Cardoso.
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