Mamão com café

por admin_ideale

 


Duas culturas agrícolas tradicionais no Norte do Espírito Santo estão começando a ocupar a mesma área nas propriedades rurais da região. O café conilon, principal produto da economia estadual, e o mamão, fruta responsável pelo avanço nas exportações agrícolas há anos atrás, estão sendo cultivados de forma consorciada por alguns agricultores capixabas.


No córrego Tombador, em Sooretama, os irmãos Jean e Janderson Rezende Bobbio acreditaram na união das culturas.  Acostumados com o cultivo do mamão, eles resolveram plantar o café junto com a fruta no mês de abril. “Pela dificuldade de sombrear o cafezal com palha de coco, resolvemos plantar junto com o mamão, que acaba realizando também esse sombreamento nos primeiros meses da lavoura de café”, diz Jean. Com o cultivo conjunto, os produtores puderam utilizar a mesma área, a mesma mão de obra e quase os mesmos insumos para as duas culturas, porém obtendo duas fontes de renda. “Iríamos ter praticamente os mesmos custos só com o mamão”, afirma Janderson.


O espaçamento adotado na lavoura de mamão foi de 1,8 metros por planta e 3,5 metros por fileira. Já o café diferencia pelo espaço entre as plantas que foi de 1,5 metros. Na área de 40 hectares arrendada para esse cultivo, os irmãos plantaram 80 mil pés de mamão e 95 mil de café, da variedade super tardio que tem período de colheita no mês de outubro, diferente do tradicional. “Essa variedade possibilita uma produção maior em menor período. Com isso, conseguimos um retorno mais rápido. Além disso, melhora para conseguir a mão de obra para colheita”, explica Jean sobre a escolha.


 



Irmãos apostam na integração de culturas agrícolas


 


Os gastos adicionais que os produtores tiveram foram com as mudas e a mão de obra para o plantio da lavoura de café. A matéria orgânica que utilizam é aproveitada nas duas culturas. Como a plantação de mamão é adubada mensalmente e pulverizada a cada quinze dias na propriedade dos irmãos Bobbio, eles utilizam o serviço para as duas culturas. “Usamos o adubo foliar com nitrogênio, fósforo e potássio”, diz Jean. A análise de solo é realizada a cada quatro meses para verificar o equilíbrio dos nutrientes necessários para as duas plantas.


Para o engenheiro agrônomo, especialista em solos e nutrição de plantas, José Antonio Lani, a cultura do café acaba se beneficiando da adubação aplicada no mamoeiro. Ele explica que o plantio do cafezal deve ser realizado após 18 meses da cultura do mamão. O agrônomo diz que, geralmente, o espaço utilizado é de 3,0 x 2,0 metros para o mamão e de 3,0 x 1,0 para o café. “Mas isso pode ser ajustado, de acordo com a necessidade do produtor, como o sistema de irrigação utilizado e a utilização de máquinas na lavoura”.


 



Cafezal recebe proteção durante aplicação de herbicida no mamão


 


A sanidade das lavouras também é motivo de cuidado. Os herbicidas para controlar o mato acabam sendo aproveitado para as duas culturas. Porém, o café, por ser uma planta mais baixa, precisa ser protegido no momento da aplicação. Uma lona é utilizada para que o produto não tenha contato com o pé de café. O controle de pragas e doenças também é realizado de forma casada entre as lavouras. A outra vantagem é a irrigação. O sistema de micro-aspersão instalado na propriedade possibilita a utilização da água ao mesmo tempo para as duas culturas, diminuindo os custos com energia.


A expectativa do Jean e do Janderson são as melhores. Eles já observaram que a redução dos custos com duas lavouras na mesma área vai tornar as atividades mais rentáveis. Com o fim do ciclo do mamão, que leva cerca de três anos para a colheita, os produtores não precisarão esperar para colher os frutos do café, que estará iniciando sua fase de produção. “Quando o mamão sair, o café já vai tá na hora de começar a colher”, diz Jean.


 


 


Revista Campo Vivo


Reportagem publicada na edição 08

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